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Reavaliando nossa vida pessoal e profissional ou combatendo o refrão “Deixa a Vida me Levar”!

 

Recém-lançado nas principais salas de cinema pelo país, o filme “O Palhaço” roteirizado, dirigido e interpretado por Selton Melo é uma história simples que de tão bem contada se torna algo muito especial. A base de tudo desta história magistralmente bem apresentada tem a ver com a vida de um palhaço que imagina simplesmente ter perdido sua graça. E o que é um palhaço sem graça?

Na verdade, o caráter do filme é bem mais existencial. Trata-se de um momento na vida em que praticamente todo profissional repensa sua trajetória, objetivos, performance e disposição de prosseguir na carreira.

Confesso que já passei por esta fase muitas e muitas vezes! Acho que, na verdade, continuo tendo estes momentos de reavaliação em ciclos bastante periódicos nos últimos 5 anos. Como profissional de marketing muitas possibilidades se abrem para mim em diferentes áreas de negócios, pois esta é uma área bastante presente, seja na indústria fonográfica, editorial, farmacêutica, esportiva, enfim, o marketing está presente em quase todas as atividades. Mas por diferentes formas de avaliação, tenho optado por continuar no mercado fonográfico. Não posso dizer que isso é como uma “cachaça” pra mim porque não pus um pingo da ‘marvada’ na goela, mas que eu amo estar nesse mercado, ah! Isso é a mais pura verdade!

Não querendo transformar esse texto numa auto-análise, foco a partir de agora num outro personagem, na verdade, alguém que vira e mexe está presente em meu dia-a-dia e, em especial, em meus textos deste espaço blogueiro: artistas e profissionais da música.

Da mesma forma que o personagem do filme parou para reavaliar sua vida, imagino que muita gente deva proceder de igual forma. Adaptando ao nosso ambiente musical, quantos e quantos produtores não precisam dar um tempo em suas rotinas estressantes com arranjos, instrumentos, cronogramas e cobranças?

Além da análise pessoal, cabe aqui uma análise profunda da questão profissional. Não só devemos analisar se o que estamos fazendo nos traz alegrias como também se o que fazemos estamos desempenhando da melhor forma! Isso é muito importante! Devemos nos esforçar ao máximo para obter crescimento pessoal e profissional e nunca cair na mesmice inercial do dia-a-dia.

Estou cansado de ver grandes profissionais do mercado artístico trabalhando no “automático”, simplesmente repetindo algumas fórmulas que deram certo no passado. Ou ainda, outros que se perpetuam por projetos vitoriosos de anos atrás. Para ilustrar e enriquecer mais essa crítica, recordo-me de um produtor musical que durante anos conseguiu realizar excelentes projetos com alguns dos mais relevantes nomes do cenário artístico evangélico. O jovem produtor ia ao exterior pelo menos 2 a 3 vezes por ano simplesmente para se inteirar das novidades por lá. Aí vieram os primeiros prêmios, o sucesso, as tentações, a fama, a unanimidade, enfim, o que seria uma bênção acabou transformando-se num problema, afetando inclusive sua vida pessoal.

E então começaram a surgir muitos convites de produção, não somente de grandes nomes, mas de artistas independentes que viam na assinatura do produtor, uma espécie de pedigree para seus trabalhos. E resumindo a história, no afã de pegar vários projetos e aumentar seus rendimentos, o produtor foi se enrolando, enrolando (…) até o ponto de passar a atrasar seus projetos, a ter problemas com os artista, chegando ao ponto da qualidade de seus projetos simplesmente decair num nível assustador!

E a esta história do produtor posso incluir também vários artistas que encontraram um fórmula de sucesso e depois de um tempo, passaram a plagiar-se a si mesmo. Ou seja, não progrediram, não se reinventaram, não buscaram novos caminhos, simplesmente seguiram com o conceito de que “em time que está ganhando não se mexe”, mas nem sempre esse ditado se aplica à vida, em especial, na carreira artística onde criatividade é a mola propulsora de tudo!

Ao longo destes meus 20 e poucos anos de profissão, já tive vários momentos de avaliação de minha vida. Já tive momentos (não raros) em que pensei largar o mercado fonográfico para atuar junto à área de tecnologia. Já tive momentos em que avaliei convites para trabalhar na área de veículos de comunicação. Em algumas oportunidades, a idéia de abrir um negócio próprio ou mesmo seguir com consultoria, também se mostraram presentes em minha mente.

Em todas estas oportunidades, as perguntas que me faço são: Eu ainda sou importante para o mercado? Ainda posso contribuir para melhorar alguma coisa neste mercado? Tenho prazer em fazer as coisas que tenho feito? De que forma eu ainda posso aprender e melhorar como pessoa e profissional mantendo-me neste mercado?

Por enquanto tenho encontrado respostas que me incentivam a continuar nesta trajetória. Uma das questões que me incentivam a manter-me, sem dúvida, é a certeza de que posso ainda contribuir bastante para a melhoria deste mercado e também que tenho ainda muito a aprender e a ensinar. Ser relevante é algo que me impulsiona e motiva.

Sinceramente espero que os profissionais que atuam neste mercado, com tanto potencial e de tantas oportunidades, possam ter um momento de reavaliação de suas vidas e momento profissional. Precisamos ter um upgrade em nosso meio para que as mudanças sejam reais, intensas e profundas e isto só conseguiremos alcançar se houver uma nova forma de trabalhar, de criar, de produzir, de se expressar. Livrem-se do “piloto automático” e reinventem-se! Todos nós agradecemos! Comece esse momento especial, assistindo ao filme “O Palhaço”. Cinema sempre é uma excelente opção de lazer!

P.S. – Depois de quase dois anos fazendo parte da equipe do Observatório Cristão, nosso nobre, exótico, psicodélico e bom de papo, amigo Carlos André, reavaliou sua vida e decidiu por dar um tempo na participação deste projeto. Agradecemos imensamente à colaboração deste personagem tão diferenciado do mundinho do design e esperamos contar com suas prestigiosas participações com textos, opiniões e críticas em outras oportunidades. Carlos, valeu! Vamos que vamos!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e só.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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