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Sabendo lidar com as redes sociais ou manual prático contra a dor de cabeça web

Ali

Na edição de julho da Revista Info Exame, a matéria de capa destaca sobre os riscos da má utilização das redes sociais. Na foto de capa aparece o DJ Bebeto Le Garfs, carioca, 28 anos e que foi deportado diretamente do aeroporto de Sidney na Austrália de volta para o Brasil.

A história, em rápido resumo, começou com a viagem do DJ para um período de férias na Austrália. Aproveitando a estada por aquele país, Le Garfs publicou um post em inglês no Facebook e no Twitter pedindo ajuda a amigos para que durante aqueles dias pudesse tocar em alguma festa local. O brasileiro recebeu uma resposta positiva de um amigo australiano e alegremente embarcou rumo à Austrália. Chegando à imigração, Le Garfs foi questionado sobre o motivo de sua viagem e de pronto respondeu que estaria apenas visitando amigos em férias.

Após uma rápida discussão, os agentes da imigração disseram que Alberto teria outros motivos para ir até Sidney porque em seu twitter afirmava justamente outro objetivo para a viagem. Os oficiais vasculharam seu perfil e leram a troca de mensagens entre o brasileiro e o amigo australiano. Checaram com o australiano sobre a viagem de Le Garfs e o amigo acabou confirmando que o pagaria para tocar em uma festa. Pronto! Era o que os oficiais queriam ouvir, afinal estava ali confirmada a intenção de trabalhar no país e para isso, necessita-se outro tipo de permissão para entrar no país. A viagem de férias acabou ali mesmo no aeroporto e o brasileiro retornou ao país após ter sido ‘flagrado’ pelas mensagens nas redes sociais.

Casos como este são muitos mais freqüentes hoje em dia do que imaginamos. Vale lembrar que o Facebook caminha para atingir a marca de 700 milhões de usuários. Isso quer dizer que um em cada dez habitantes deste planeta está conectado na rede de Mark Zuckerberg. Já o twitter acumula cerca de 140 milhões de mensagens por dia. Este número impressionante é como se 75% da população de nosso país postasse ao menos uma mensagem por dia.

Com a popularização das redes sociais, cada vez mais pessoas utilizam-se destas ferramentas para facilitar a vida e para de maneira democrática, rápida e abrangente se manifestarem sobre os mais variados assuntos e temas. E é justamente nesta facilidade de participar e de se expor é que mora o perigo porque como todo novo fenômeno, há uma inexperiência por parte dos usuários na utilização e principalmente nos riscos que esta novidade apresenta.

Pessoalmente tento manter uma relação saudável com as redes sociais e confesso de que sou mais interessado pelo twitter do que o Facebook. Ainda não consegui ter uma relação equilibrada com essa ferramenta, mas venho dia a dia entendendo o que devo e posso falar e principalmente o que não devo e não posso sequer cogitar fazer! Logo no início de minha relação com o twitter imaginei que não conseguiria juntar mais do que 100, 200 seguidores, sendo em sua esmagadora maioria, amigos pessoais. E àquela época comentava livremente sobre os mais variados assuntos sempre com um ponto de vista bem humorada, até certo ponto, bastante sarcástico.

Recordo-me que a primeira vez em que fui impactado por uma mensagem me puxando a orelha foi quando do desaparecimento da Elisa Samudio, supostamente assassinada pelo Bruno, ex-goleiro do Flamengo. No meio de tantas reportagens e inevitáveis piadas de humor negro, resolvi comentar com um amigo sobre o fato incluindo uma piada infame. Passados 2 ou 3 minutos, surgiu um follower me detonando! Dizendo-me que pela minha posição jamais poderia ter um comentário como aquele. Na hora fiquei vermelho de raiva e pedi nada sutilmente que aquele rapaz não se intrometesse em minha conversa. Fui absolutamente idiota e infeliz não só no comentário como na reação do rapaz! Na seqüência, deletei meu tweet anterior e fiquei com essa reprimenda reverberando na minha mente por muitos dias! Até hoje fico com a vontade de pedir desculpas ao seguidor (ex-follower creio eu agora) que me chamou a atenção, mas de qualquer forma, me arrependi e nunca mais postei nada neste padrão de mensagem.

Nos meses seguintes, um ou outro tropeço e muitos alertas. Um dia chegando ao aeroporto de São Paulo, já no desembarque fui recebido por um jovem cantor gospel que havia lido em minha Timeline que eu estaria chegando àquela cidade logo pela manhã. O rapaz pegou um táxi e correu para o aeroporto a fim de me entregar um CD Demo. Aquilo me assustou, afinal meu dia-a-dia poderia ser seguido e a fonte das informações era justamente o meu ‘dedo nervoso’ tuitando. Também parei de postar minha agenda e hoje sou bastante comedido nos meus comentários sobre a minha rotina de trabalho.

Vejo que muitos artistas do meio gospel ainda estão buscando o ajuste certo na relação com as redes sociais. Já comentei por aqui que não acho certo o artista ficar colocando na tuitolândia fotos da “Lagosta ao Termidor” do almoço enquanto a grande maioria dos seus seguidores está correndo atrás do arroz com feijão na mesa. Ou ainda, artistas que em plena terça-feira, às 11 da manhã estão dando uma corridinha na esteira para manter a boa forma e fazendo questão de alardear no twitter, quando neste momento seus followers estão ralando com as dificuldades do dia-a-dia. Alguns artistas têm usado suas Timelines para promoverem o espetáculo da auto-promoção retuitando todos os elogios recebidos pelos fãs. Isso me impressiona demais! Têm determinados horários do dia, que é uma troca de elogios pra cá e pra lá que os psicólogos e terapeutas devem ficar assustados com a terapia virtual em prol da auto-estima.

Outros artistas também têm se utilizado das redes sociais para promoverem um verdadeiro UFC virtual. É um tal de pancada pra cá, desaforo pra lá, lição de moral, bloqueio, respostas atravessadas … que fica parecendo mais uma guerra de trincheiras da Primeira Grande Guerra do que qualquer outra coisa! E quando a troca de farpas não se dá de forma aberta, ela acontece por enigmas, charadas, mensagens codificadas do tipo “se você se sentiu atingido a carapuça serviu e o dardo era mesmo para sua pessoa!”. E quem não sabe do assunto em questão, fica boiando ou conjecturando o que aquela pessoa queria na verdade dizer. Uma coisa impressionante!

Além disso, existem os tuiteiros-evangelistas, que sempre colocam mensagens bíblicas ou versículos e os tuiteiros-filósofos que reproduzem de Kant a Gandhi, passando pelas frases de pára-choques de caminhão e de auto-ajuda. Reconheço ainda, em meio a esta análise sociológica-web, os tuiteiros-panfletários que são aqueles que aderem a todo tipo de campanha, seja contra a PL122, a favor da doação de sangue, contra a matança das baleias no Mar do Norte, a favor dos Bombeiros do Rio de Janeiro ou mesmo a ida de algum artista gospel num programa de TV. Aqui ainda poderia elencar outras personalidades como o tuiteiro-merchan, que sempre faz propaganda de alguma loja ou serviço. Geralmente porque está se beneficiando da ‘parceria’. O tuiteiro-intriga que adora provocar brigas e polêmicas ou ainda, o tuiteiro-fã que sempre fica comentando sobre seu artista predileto. A diversidade de estilos é realmente enorme, mas todos estes, em meu humilde entendimento, ainda não conseguiram entender o formato ideal de se relacionar com estas tecnologias.

A conclusão que eu chego depois de ler esta matéria na revista é que efetivamente precisamos saber lidar com estas novas ferramentas e com a instantaneidade de nossas ações e principalmente exposição de opiniões. Dias atrás fui instigado a entrar numa polêmica por diversos seguidores e perseguidores querendo uma posição minha a respeito de uma determinada notícia. Minha posição foi de absoluto recolhimento, pois creio que não dê e não seja inteligente ficar polemizando na web. Infelizmente vejo que neófitos da tecnologia, sejam artistas, pastores ou pessoas do mercado gospel ainda têm errado muito na condução e na utilização das redes sociais como aliado na ampliação de contatos e de resultados de marketing, entre outros benefícios.

Pra terminar, vou reproduzir algumas dicas da matéria na revista sobre como podemos usar as redes sociais sem correr risco de ser demitido ou causar problemas.

1) Não poste fotos em alta definição. Elas podem ser usadas em montagens.

2) Deixe as informações pessoais disponíveis apenas para os amigos, ou melhor, os verdadeiros e confiáveis amigos!

3) Pense muito antes de postar qualquer comentário em momentos de nervosismo e raiva. Lembre-se que redes sociais não são gabinete pastoral ou o divã do seu terapeuta!

4) Eduque seus filhos para que não coloquem informações particulares. Acompanhe sempre o que eles publicam.

5) Uma frase ou foto fora do contexto podem trazer interpretações diversas. Cuidado com as brincadeiras!

6) Empresas procuram informações em redes sociais. O que você coloca na sua página define quem você é.

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Mauricio Soares, jornalista, publicitário, alguém que adora conversar e se relacionar com pessoas, preferencialmente ao vivo e em cores.

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