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SE CONTINUAR COM AS VELHAS ESTRATÉGIAS VAI SER ATROPELADO

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Passada a Copa do Mundo no Brasil. Passados os dias e dias de renovação do visual e ferramentas do blog Observatório Cristão, agora com uma parceria com a equipe do Garagem Gospel. Passados quase 3 semanas de absoluto repouso após uma cirurgia. Eis que volto a dedicar parte de meu tempo para escrever novamente para este blog acompanhado assiduamente por 66 e um pouco mais leitores.
Espero recuperar minha performance blogueira e principalmente a atenção da turma que sempre curtiu esse blog como um ambiente saudável, criativo, informativo e mesmo questionador do dia a dia gospel tupiniquim.
Sem perder tempo, começo este texto declarando enfaticamente de que estamos vivendo dias em que no futuro iremos lembrar como sendo este o ano oficial da virada no mercado fonográfico no Brasil. O ano de 2014 entrará para os livros de história como aquele em que efetivamente o mercado digital assume papel de importância frente ao tradicional mercado físico. Já nos primeiros 3 meses de 2014 o mercado secular registrou uma queda de cerca de 30% nas vendas de produtos físicos. Podemos levar em consideração de que este é um ano atípico com a realização da Copa do Mundo no Brasil e quando boa parte do comércio acaba sentindo em números a queda do interesse do público consumidor.
Concordo. Realmente temos neste momento um ano diferente em que não só uma Copa do Mundo é realizada e, tradicionalmente o comércio, exceto de bebidas e televisores comemora os resultados, e em contrapartida os demais setores reclamam de quedas nas vendas. Mas em especial, esta Copa aconteceu no Brasil e isso tirou ainda mais o foco dos consumidores! Mas seguindo uma tendência mundial, o Brasil conviveria com essa transição com ou sem Copa do Mundo.
Com a chegada de novos players no mercado digital neste ano, mais opções o consumidor passa a ter para acessar conteúdos em diferentes formatos e plataformas. Em especial, a chegada do Spotify no Brasil reforça uma tendência que inclusive já afeta a performance do iTunes em todo o mundo. O streaming é uma nova forma de consumo de conteúdo musical que transforma radicalmente todos os hábitos do público. Se até bem pouco tempo atrás tínhamos como opção a compra do conteúdo digital pagando por um álbum e este ter a opção de ser disponibilizado em diferentes equipamentos, agora com o streaming o consumidor passa a ter acesso por menos de 15 reais por mês a milhões e milhões de álbuns e faixas, muitas das vezes até mesmo estando off line. Ou seja, estamos diante de uma revolução que irá afetar não somente as gravadoras e o público consumidor, mas todos os atores deste mercado tão intenso.
Cada vez mais o consumidor terá direito e condições de elaborar criteriosamente o que irá ouvir musicalmente. Isso transfere ao público o poder total na decisão sobre que tipo de artista ou produto este irá consumir. O conceito de mídia de massa sofrerá grandes ajustes porque efetivamente a decisão será individualizada. Neste caso posso destacar que a posição das emissoras de rádio tradicionais está bastante delicada! Não me arrisco a dizer que as FMs serão extintas ou algo do tipo, mas que efetivamente o ouvinte terá um poder de decisão como jamais teve antes, pois ele poderá montar sua própria playlist, sua webradio ou algo do tipo. Com isso, as FMs deverão se posicionar de uma forma bem mais direcionada a seu público, buscando atraí-lo com programações interessantes e muitas promoções.
Especialmente no meio das rádios com programação evangélica, vejo pela frente dias muito difíceis se estas continuarem com a estratégia de impor unilateralmente suas vontades, interesses e gororobas! O público simplesmente não aceitará ser imposto a ouvir músicas sem qualquer qualidade com pastores-cantores, sub-celebridades e afins ou mesmo playlists que não se renovam há décadas ou ainda, rádios que tocam única e exclusivamente músicas produzidas por uma gravadora ligada à própria emissora ou grupo de comunicação. A partir de agora, a rádio que não se posicionar de uma forma mais profissional e atraente tende a cair várias posições no ranking de audiência. Isso é uma questão indiscutível!
Dentro das transformações do advento do mercado digital, uma categoria em especial terá que lidar rapidamente com as mudanças do segmento: os artistas, por mais que muitos ainda insistam em seguir e acreditar na Síndrome de Gabriela (“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu vivi assim … sempre Gabriela …”). A grande verdade é que com as mudanças nos hábitos de consumo, os artistas precisarão estar atentos às tendências e desejos de seu público. E o mais alarmante, estamos diante de uma geração onde o que é sucesso hoje, amanhã poderá ser absolutamente over. As mudanças serão rápidas, instantâneas … estamos não mais diante da geração fast food mas da geração digital com acesso à informação a um simples deslizar de dedo na tela.
Como muitos de vocês devem saber, tenho 3 filhos. Cada qual numa idade e perfil bem distintos. Meu primogênito, agora com 14 anos, jamais comprou um CD físico. O mesmo acontece com meus 2 outros filhos, um com 11 anos e o meu caçula com quase 2 anos. Ou seja, nunca tive nenhum destes meus filhos como consumidores de produtos físicos. Então, posso considerar que agora com o mercado digital em crescimento, passo a contar com 3 novos possíveis e ávidos consumidores. Efetivamente é isso o que acontece em minha própria casa! Meus 2 filhos só compram conteúdos digitais e todos têm suas contas em um canal de streaming. Mesmo o meu filho menor, o sorridente Benjamim, já tem os seus aplicativos específicos no Ipad e Iphone.
Saber lidar com as redes sociais, com o novo perfil de consumidor, com as novas ferramentas e principalmente novas oportunidades é uma questão de sobrevivência não somente para as empresas do setor como também e, principalmente, os artistas. Nos últimos meses tenho conversado com muitos artistas sobre estas mudanças e perspectivas. Tenho tentado ser o mais direto e transparente possível deixando claro que o momento exige novas posturas, novas ações e principalmente nova mentalidade.
Destas conversas recentes já temos casos de grande sucesso e tudo indica que realmente estamos no caminho certo. Aproveitando alguns lançamentos, tenho colocado os artistas diretamente em contato com a equipe de marketing digital de nossa empresa. Confesso que a turma tem muito conteúdo e que às vezes falam coisas meio que ininteligíveis num idioma bem próprio, mas aos poucos as dúvidas vão se dissipando, o entendimento chega e belíssimas estratégias são desenvolvidas. Foi em reuniões como esta que recentemente tivemos dois cases de muito sucesso, a saber: o novo álbum do querido e talentoso Paulo César Baruk que ficou por mais de 5 dias na liderança absoluta do iTunes e a estréia do vídeo “Sublime” com Leonardo Gonçalves que em pouco tempo ultrapassou 300 mil views e de quebra ainda liderou por vários dias as vendas do Itunes na área de vídeo clipes.
Não estou afirmando que o artista precisa se transformar do dia para a noite num expert em tecnologia, redes sociais, mercado digital, marketing … nada disso! O que estou dizendo é que o artista precisa ter consciência de que o mercado mudou e que ele exige novas adaptações. O ideal é que cada artista tenha o suporte de profissionais especializados em marketing digital e que estes contribuam para a elaboração de estratégias específicas e vencedoras nesta área.
Aproveitando a oportunidade, há algumas semanas atrás tive a oportunidade de conhecer a estrutura e projeto de trabalho da DMusic, empresa que cuida do marketing digital de Michel Telló, Thalles, entre outros. É exatamente deste tipo de assessoria que entendo ser indispensável para os artistas neste momento. Como a DMusic (http://www.dmusic.com.br/) já há outras empresas disponíveis no mercado e vale a pena uma boa pesquisa.
Já seguindo para o fim deste texto, preciso destacar apenas mais um ponto que julgo ser imprescindível em se tratando de mudanças no mercado fonográfico nacional com o crescimento do meio digital. Infelizmente é notório o distanciamento de alguns profissionais e gravadoras do meio gospel com relação a estas mudanças. É assustador ver que muitas gravadoras do segmento ainda trabalham com a mentalidade obtusa e arcaica como se estivessem em pleno século XX utilizando-se se estratégias defasadas e claramente alcançando resultados ínfimos.
Outro dia ouvi de um profissional de que o mercado de música vai acabar, que as vendas estão terríveis e que está tudo horroroso. Ele me falava estas coisas com uma tristeza e desânimo impressionantes. Este profissional viveu o auge da venda de CDs com pedidos de lojistas que muitas vezes superavam dezenas de milhares de peças por mês. E aí resolvi contestá-lo dizendo que a música jamais vai acabar, que o mercado continuará consumindo conteúdo musical e que realmente todos nós, profissionais inclusive, precisam neste momento saber o melhor lugar e forma para nos posicionarmos. Se até alguns anos atrás trabalhávamos com cerca de 3.000 pontos de vendas de discos entre livrarias, igrejas e vendedores porta a porta, hoje temos mais de 250 milhões de aparelhos celulares no Brasil, mais de 50 plataformas digitais com catálogos que superam 5 milhões de álbuns ou singles, ou seja, temos muito mais condições de ter rentabilidade, distribuição e oportunidades neste novo momento, apenas precisamos saber como lidar com estas novas demandas. Simples assim!
A reação desse meu amigo foi de completa desolação porque nas palavras dele: “os donos da empresa em que ele trabalhava não acreditavam nesse novo mercado e que continuavam com as mesmas estratégias do passado. O que para eles era bastante satisfatório!” Neste caso, realmente não há muito o que se falar, apenas este tipo de pensamento e atitudes reforçam outra tendência mundial que veremos se repetir aqui na terra brasilis, ou seja, a concentração de catálogos, selos e gravadoras em empresas de maior porte e conectadas às novas realidades do mercado. Em pouco tempo, o número de gravadoras no segmento, inclusive gospel nacional, será reduzido drasticamente, mas isso é papo para outro post!
Até a próxima!

Mauricio Soares, palestrante, consultor de marketing, jornalista, publicitário

  • Alysson Souza

    Maurício, considero você um profissional altamente competente, que se relaciona com o futuro através dos indícios que o presente sinaliza. Sou leitor assíduo do seu blog, o qual tanto me agrega valor a cada leitura. Que o nosso D-us seja louvado por sua vida!

  • http://cantorajosyelem.com/ Josyelem

    Essas mudanças são reais, e como cantora, tenho visto isso na prática. Não se vende tanto cds físicos como antigamente. Mas vejo também uma outra mudança que acho que é importante ser avaliada: os cachês aumentaram significativamente. De forma que hoje, os grandes artistas não dependem mais de venda de cds para obter seus rendimentos. E desde o ‘boom’ da pirataria, sabemos que os mesmos já não contam com a venda de cds físicos como outrora. Com a inserção da música gospel nos eventos das cidades, contratações de shows por de prefeituras e promotoras de eventos, os artistas gospel já podem ter cachês que equiparam com os artistas seculares. Toda mudança é cenário para crescimento. Então, vamos em busca de conhecer essas novas estratégias para lidar com as tais novas tecnologias. Josyelem

    • http://cantorajosyelem.com/ Josyelem

      pensando um pouco além…. suponhamos que a venda de cds físicos realmente venham a diminuir ao ponto de quase se extinguir, mas, por outro lado, a divulgação na internet, VEVO, redes sociais, YouTube, e todas as demais ligadas à tecnologia, façam com que ao single do artista ou mesmo o álbum chegue aos 4 cantos do Brasil e se torne um sucesso nacional: à partir do momento que a música ou o artista se torna uma marca, a esta marca passa a ser vinculado um valor de mercado, e haverá uma maior procura por contratação do artista para os grandes shows e eventos. Penso que desta forma, a venda de cds seria apenas um detalhe, e não o responsável pela geração de renda para o artista. O que você acha Mauricio Soares? Esta seria uma boa análise? de repente essas mudanças venham para bem. Josyelem