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Sem paixão e conhecimento não dá!

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Durante muitos anos participei como colunista da revista Consumidor Cristão publicada pela EBF Editora e voltada especialmente aos profissionais do mercado cristão e lideranças. Mensalmente trazia em meus textos informações, dicas e observações sobre marketing, vendas e principalmente palavras de incentivo pelo aumento da qualidade das atividades relacionadas ao setor. Este tempo foi intenso de palestras, consultorias, treinamentos e mesas de debate entre profissionais do que denominamos como mercado gospel. Muitas destas experiências serviram como incentivo para que tempos mais tarde tivesse coragem, eu mesmo de ter um espaço em que pudesse livremente expor minhas opiniões. Foi daí que surgiu o Observatório Cristão.

Aos poucos o blog foi migrando de uma temática mais técnica e focada no mercado distribuidor para seguir na direção do mundo artístico e fonográfico. Escrevo este texto após uma semana inteira dedicada a ações de marketing e promoção por duas das mais importantes cidades do belo nordeste brasileiro. Estive por dois dias e meio em Recife e praticamente por igual período em seguida na cidade de Fortaleza. Pude visitar muitas mídias e algumas livrarias especializadas. O texto a seguir será justamente fruto de minhas observações nestes últimos dias, o que na verdade, venho acompanhando esse ‘fenômeno’ se repetir nos últimos anos.

A busca constante por conhecimento e aprimoramento é fundamental em qualquer profissão. É deprimente quando lidamos ou ouvimos comentários acerca de um determinado profissional que ficou ‘parado no tempo’, ‘velho’, desatualizado. Em primeiro momento tenho a impressão de que este profissional simplesmente perdeu o elã, a paixão por seu ofício. E, modestamente, acho que esta é uma situação desesperadora, até porque se tem uma característica que posso destacar em minha carreira e vida é justamente a paixão que tenho pelos projetos que acredito e assumo. Em segundo lugar, essa falta de se buscar o aprimoramento constante denota acomodação, desleixo, preguiça, ou seja, qualidades nada alvissareiras! E em terceiro lugar, me vem à mente que este profissional traga resultados insuficientes, bem abaixo do potencial e estes resultados podem inclusive criar uma imagem distorcida do próprio negócio em si.

Trazendo esse assunto para mais perto de nosso cotidiano, gostaria de falar sobre 3 profissionais com os quais lido constantemente, a saber: lojistas, mídias e artistas. E quero começar a focar justamente pelos lojistas relembrando com grande saudade de meus tempos de colunista. Hoje em dia manter-se atualizado sobre lançamentos disponíveis no mercado, seja ele editorial ou fonográfico, é tarefa bem mais fácil do que em tempos atrás. Me lembro que há 20 anos atrás tínhamos como divulgação apenas uma ou duas revistas onde as editoras publicvam seus anúncios. De vez em quando recebíamos malas diretas pelo correios com catálogos e tabelas de pedidos. Era impressionante como o envio destes materiais eram constantes e muitas das vezes encontrava pilhas e pilhas de catálogos em cima das mesas de gerentes de lojas. Neste tempo, ainda eram poucas as emissoras de rádio do segmento e ainda mais raro era ter programas ou canais de TV com programação evangélica. Ou seja, a informação sobre lançamentos era algo muito complicado. Tempos depois o fax passou a ser uma ferramenta a mais de divulgação. Lembro-me que em muitas lojas, o dono deixava o aparelho desligado para poupar o seu rolo de papel e assim não ficar recebendo quilômetros e quilômetros de tabelas e materiais de divulgação. Isso parece que foi há séculos … impressionante a velocidade das transformações tecnológicas dos últimos anos … Mas, voltando ao tema, hoje em dia, com o advento da internet, redes sociais, comunicação instantânea, a informação ao alcance de um simples toque, manter-se alheio às novidades do mercado é simplesmente inaceitável, o que apenas demonstra uma absoluta falta de iniciativa e principalmente de seriedade com seu próprio ofício.

Em toda loja que visito sempre procuro de forma quase incólume pesquisar o estoque de produtos à venda. Paro sempre em frente ao balcão de CDs e DVDs e fico ali conferindo a oferta de produtos. Depois de um tempo, procuro achegar-me ao vendedor e fazer algumas perguntas para tentar decifrar o seu grau de conhecimento dos lançamentos e tudo mais. Em algumas oportunidades (bem raras é verdade!) deparo-me com vendedores que sabem tudo o que vem acontecendo no meio … lançamentos, sucessos, hits, agenda, notícias … nitidamente percebe-se que estamos diante de um profissional cheio de empenho e principalmente paixão pela música e seu ofício. Nestes casos os resultados de vendas refletem exatamente o ímpeto do vendedor. Já em contrapartida, quando visito determinada loja em que a área de discos fica relegada a um canto escuro, sem qualquer profissional especializado e apaixonado pela música, as vendas são pífias e não raro, acabo ouvindo do ‘gerente’ que cada vez tem vendido menos CDs e DVDs, uma observação óbvia, é claro!

Há alguns meses um dos representantes de vendas que trabalha comigo esteve numa determinada loja levando as novidades daquele mês. O esforçado vendedor investiu tempo para imprimir capas, materiais de divulgação e levou mais de 1 hora no processo de apresentação de seu portifólio, especialmente um determinado lançamento. A ‘gerente’ (tenho que colocar entre aspas porque essa função merece respeito!) ouvia tudo sem expressar ânimo algum. Em determinado momento o vendedor informa que aquela artista estaria na cidade daqui umas 3 semanas e que seria possível inclusive se programar uma tarde de autógrafos ou algo do tipo em sua loja. De forma direta, a enfadada ‘gerente’ responde ao vendedor: “ – Tá bom! Mas eu não quero tumulto aqui na loja, não! Não gosto de artista, não gosto de autógrafos e isso eu não quero aqui não!”

Em outra oportunidade, determinado vendedor agendou uma tarde de autógrafos em um de seus clientes. Tudo certo e na hora de fechar o pedido, este vendedor sugeriu uma determinada quantidade de discos para atender ao evento. O gerente optou por fechar o pedido em cerca de 30% do montante inicial. Dias depois, o artista chega na loja, fila dobrando a esquina e em apenas 15 minutos todo o estoque do lojista evapora. Ou seja, se tivesse seguido à risca a sugestão do vendedor, teria muito mais vendas daquele produto. O gerente no fim comentou constrangido: “ – Mas eu não tinha noção nenhuma de que este artista tinha essa força toda! Fui surpreendido!” Neste caso, o departamento de marketing da gravadora já havia alertado sobre a enorme expectativa pelo lançamento medido principalmente pelas redes sociais. A área de vendas seguiu com essa informação, mas o gerente em questão preferiu simplesmente seguir seu ‘instinto’ e no fim, perdeu vendas e mais vendas.

Venda não efetuada é venda que dificilmente se recupera, principalmente no varejo.

O público consumidor de produtos religiosos vem crescendo ainda bastante no Brasil, seguindo uma tendência da última década e meia. Por semana recebo em média 2 a 3 consultas de empreendedores pelo país querendo maiores informações sobre o processo de cadastramento para adquirir nossos produtos para suas livrarias. Cada vez temos mais mídias especializadas, isso sem falar no aumento das web stores facilitando a cada dia a distribuição não só no Brasil como também no exterior. O único problema neste momento é o cenário econômico, político do país que realmente parece querer dizimar os empreendedores com taxas, impostos, burocracia e tudo mais. No entanto, é notório que em tempos de crise, principalmente econômica, as pessoas costumam se aproximar mais das ‘coisas da fé’, ou seja, há uma tendência real de que as igrejas ficarão ainda mais cheias nos próximos anos. E aí, me vem uma dúvida: como um livreiro evangélico pode reclamar de queda nas vendas? É no mínimo contraditório que um mercado em franca expansão de seu público consumidor reclame dos resultados de vendas. A resposta para isso é somente uma, ou seja, falta de paixão, falta de aprimoramento e busca de conhecimento e falta de estratégias. Isso tudo somado acarreta em baixos resultados de vendas. Simples assim!

Especialmente nos últimos 15 anos visitei praticamente todas as principais emissoras de rádio do segmento Gospel no país. Perdi a conta de entrevistas em que participei ou simplesmente acompanhei ao vivo ao longo destes anos. Além das FMs, foram muitas as entrevistas com blogs, sites, programas de TV, revistas, jornais … uma infinidade de oportunidades. E posso confessar que não há experiência mais deprimente, frustrante e muitas das vezes ‘vergonha alheia’ pra mim do que deparar-me com um profissional de mídia que não sabe fazer seu dever de casa, se preparar adequadamente para uma entrevista. Já tive o desprazer de estar diante de um radialista que sequer sabia o nome de seu entrevistado, seu novo projeto ou mesmo história de vida. Entre uma impostação de voz no melhor estilo “Alberto Roberto” e uma piadinha infame, o locutor atônito não sabia o que perguntar. Ficava ali olhando para o artista simplesmente falando coisas desconexas e querendo mostrar uma intimidade que não tinha com o entrevistado. Já alguns seguem pelo famoso corolário de perguntas-padrão do tipo:

– E como você começou a cantar?

– Ô glória! Bem de pequeno … que bênção!

– E quais são as suas referências musicais?

– Eita Jeová … que maravilha!

– Este é seu primeiro disco?

– Que demais!

– Tem alguma música que é sua preferida?

– Ah, sim …

– É a primeira vez que você vem aqui na cidade? Já comeu nosso prato típico?

– Ô que benção …

– E você tem algum sonho pela frente?

– Ah, que bênção! Então pra finalizar nos deixe seus contatos, redes sociais, telefone …

– Que bom! Quer aproveitar e deixar sua mensagem aos nossos ouvintes?

– Obrigado por sua vinda!

Pode parecer um exagero nas tintas, mas infelizmente não é isso! Este tipo de ‘entrevista’ acontece em pelo menos 80% das oportunidades pelo país. É uma espécie de ‘entrevista-padrão’ seguindo um rígido código de alguma espécie de manual de jornalismo que seguramente não sei quem iniciou e foi se repetindo de norte a sul do país.

Em suma, a classe de profissionais de mídia precisa mudar urgentemente esse panorama em busca de maior aprimoramento, maior conhecimento, mais referências de profissionais diferenciados, mais amor à profissão e maior respeito à inteligência do público.

O último aspecto que gostaria de abordar neste post é justamente a classe artística. De igual forma como venho neste texto cobrando por um maior comprometimento com o respectivo trabalho dos profissionais de outras áreas, esta mesma situação se repete na direção dos artistas do segmento gospel. Conhecendo melhor o dia a dia de alguns artistas que ultimamente vêm se destacando no cenário artístico cristão, é interessante como um padrão se repete positivamente nestes casos, ou seja, a busca incessante por boas referências, o tempo de maturação de um projeto (entre a pesquisa de estilos, repertório e produção, nada acontecendo em menos de 12 meses) e, principalmente uma análise cuidadosa sobre as expectativas do seu público-alvo. Especialmente esta última categoria torna-se cada vez mais importante num momento em que temos tantas opções ao alcance de um simples portal de streaming. Ao artista não é mais permitido simplesmente gravar e impor pelos tímpanos adentro o que ele julga ser o estilo perfeito para seu público. A palavra de ordem deste momento é pesquisa e interação. Saber o que o público quer ouvir é meio caminho andado para se ter resultados positivos.

Tanto no dia-a-dia de lojistas, como de mídias ou mesmo artistas, as necessidades para alcançar uma performance positiva neste momento praticamente se assemelham de uma forma assustadora. Falamos muito de paixão e em todas as atividades é preciso ter este sentimento para que as atividades cotidianas sejam prazerosas e não jugo pesado e desestimulante. Não espere resultados espetaculares se você não trata sua atividade com a intensidade que ela demanda.

Se falta paixão no dia-a-dia em sua atividade, o melhor a se fazer é deixar o lugar disponível para que outro profissional possa desempenhar a função da forma correta!

Outra questão que falamos nos 3 casos é justamente a busca pelo conhecimento e aprimoramento. Informação é tudo ou meio caminho andado para o sucesso. Tantas vezes ouvimos esta expressão? Pois é, infelizmente muitas pessoas querem alcançar o sucesso tomando atalhos e renegar a importância do conhecimento é seguir por um caminho complicado e que geralmente não leva a lugar algum. Vivemos um tempo especial para quem busca pelo conhecimento. A tecnologia diminuiu as distâncias, aproximou culturas, transformou o mundo numa pequena comunidade e com isso, o conhecimento tornou-se democrático e acessível a todos, basta buscá-lo, somente isso!

Quem não busca conhecimento ou desenvolver-se em sua área de atuação determina seu próprio fim pelos próximos anos.

Se você é artista, mídia ou lojista, ou mesmo um profissional de qualquer outra área saiba que sucesso é decorrente de determinação, paixão, conhecimento, foco, transpiração, entre outras questões. O importante no processo de busca do sucesso é compreender que há algo diferente a ser feito, de que é necessário romper o estado inercial e a zona de conforto para buscar novos desafios e automaticamente ter melhores resultados. Lembre-se que não é possível ter resultados diferentes repetindo-se atitudes! É necessário mudar a visão e as ações para que tenhamos resultados diferentes! E quero finalizar apenas ressaltando que quando falo de sucesso, não significa de forma alguma o resultado financeiro ou o reconhecimento de terceiros. O verdadeiro sucesso é alcançado quando temos nós mesmos a satisfação e orgulho por nosso próprio desempenho e resultados. Sem paixão, conhecimento ou dedicação, tornaremo-nos pessoas frustradas e desinteressantes.

Boas mudanças!

 

Mauricio Soares, consultor, profissional de marketing, jornalista, bom de papo, alguém sempre disposto a contribuir com a melhora do segmento gospel e que atualmente não pára de assistir ao DVD Preto no Branco recém lançado com produção da Balaio Music. Boa dica de fim de ano!