Simpatia sempre ou só quando estamos interpretando um personagem?

Nas últimas semanas os 66 leitores deste modesto blog devem ter percebido (é o que espero!!!) que a periodicidade de novidades caiu drasticamente por aqui. Se até algumas semanas atrás estávamos postando algo inédito a cada 2 ou 3 dias, especialmente nestas duas últimas esta frequência chegou ao marasmo total. Além da habitual falta de tempo com tantas atribuições, reuniões, viagens, projetos, audições, o que me acometeu na verdade neste período foi uma absoluta falta de criatividade, de assuntos interessantes e, como sempre fiz questão de deixar claro, quando eu não tiver nada realmente relevante para comentar, para postar, o certo é não publicar nada!

Hoje estou em Fortaleza para 2 dias intensos de reuniões, entrevistas e contatos. Nestes próximos 2 meses deverei estar pela capital cearense por pelo menos umas três ocasiões o que, convenhamos, não chega a ser nenhum martírio assim, não é mesmo! Uma das capitais mais bonitas do país, com um povo alegre, simpático e cheio da presença de Deus. Em julho, mais especificamente entre 08 a 11 de julho acontecerá pelo décimo ano consecutivo a Expo Evangélica, evento que reúne mídias, empresas, artistas e lideranças evangélicas de toda a região. O visionário e empreendedor que está à frente deste projeto é o querido amigo Ewerton (pronuncia-se Evéééérton, em cearês) que entre tantas atividades seculares envolvidos com grandes feiras resolveu dedicar parte de seu tempo para fomentar o mercado gospel do Nordeste com esta importante feira.

Mesmo com uma agenda que inclui viagens pelo Brasil e pelo exterior, sempre que necessito de um suporte na capital cearense, não penso em outra pessoa que não seja justamente o grande amigo e ele sempre está apto e disposto a atender-me e principalmente em recepcionar e dar todo suporte aos artistas de meu cast. E mais cedo conversamos sobre vários aspectos do próximo evento e entre um assunto e outro, uma frase que ele me disse chamou-me a atenção e como num estalo surgiu aí o tema que gostarei de comentar a partir de agora tendo a Praia de Iracema como testemunha deste momento criativo após um dia inteiro de muito trabalho.

No seu linguajar tipicamente cearense do interior, Ewerton comentou que o artista sendo bom de trabalho, receptivo, atencioso, simpático, automaticamente dava muito mais prazer mantê-lo por perto. Em outras palavras, se o artista entende que a relação é de interdependência, de que um necessita do outro e deve esforçar-se para agradar a todos, então este tinha muito mais chances de ter e, principalmente, manter o sucesso.

Muda o pano …

Dias atrás, já no Rio de Janeiro, conversando com um dos maiores comunicadores que conheço na TV do segmento gospel no país, uma pessoa super talentosa e que principalmente, entende e procura estudar a música gospel e o universo que nos ronda, ouvi uma pérola a respeito de um artista super importante no nosso meio que, confesso, fiquei de boca aberta tamanha falta de sensibilidade e mesmo de humildade. O dito cujo, nos bastidores de um determinado evento, negando-se a atender ao público que por algum tempo esperava pacientemente na fila por um momento mais próximo, para as tradicionais selfies, autógrafos e tudo mais e tendo que ser obrigado a atender alguns poucos que conseguiram furar todos os bloqueios impostos por sua produção, sacou o seguinte comentário: “Meu pai me ensinou que eu deveria rir só pra quem eu conheço e pra quem eu quero!”

Pausa para respiração. Contem até 30 e depois vamos seguir com a leitura deste post que ainda contará com mais algumas linhas …

Pode parecer óbvio demais que um artista precisa exercitar sua capacidade de simpatia e carisma em níveis estratosféricos para que não crie para si uma imagem arrogante, negativa e coisas do tipo. Pode parecer simplório de que todo artista precisa do feedback do público e cativá-lo de forma intensa. No entanto, mesmo com estas obviedades tão ululantes é assustador como há artista pecando (literal e figurativamente) neste quesito que traz consequências devastadoras no presente, mas principalmente no futuro. E é impressionante como podemos fazer listas e listas de artistas com enorme talento e potencial, com possibilidades reais de carreira sólidas e longevas que justamente ficaram pelo caminho especialmente por não saberem conduzirem seu networking, não souberam lidar com seu ego, não controlaram sua arrogância e, como não dizer, que não souberam ter um pingo de educação, o mínimo possível que se pode esperar de um cidadão, de um cristão ou de qualquer ser humano.

Em uma conversa com outro grande amigo, este mesmo assunto veio à baila e ele foi me contando casos e mais casos de artistas que são persona non grata pelas lideranças locais de sua região, simplesmente porque destrataram pessoas que trabalhavam na produção dos eventos, outros que não atenderam ao público antes e pós evento, que não se portaram dignamente no hotel ou mesmo no trajeto aeroporto/evento. Ou seja, o tempo todo estamos sendo avaliados como pessoas e por pessoas. Aquele ser que ouvimos e vemos em entrevistas de rádio e TV, super simpático, crente, acessível, risonho e boa praça, deve ser o mesmo ser que nos relacionamos quando os microfones não estão ligados. O mesmo se aplica para o artista que no palco traz um discurso de amor, humildade, espiritualidade, ou seja, é quase um anjo, mas que quando desce os degraus e volta para o backstage foge do público, trata mal as pessoas e profissionais, exige detalhes tão ridículos como catering com itens que mais parece uma cesta de Natal com acepipes os mais diferenciados possíveis.  Enfim, um discurso completamente distante da realidade. E hoje, em tempos de redes sociais e instantaneidade das notícias, este tipo de comportamento é altamente arriscado! Não são poucos os casos em que artistas são flagrados em vídeos assumindo posturas nada simpáticas e em questões de segundos a imagem de corre pela web desmascarando-o. E aí, explicar o inexplicável pode ser ainda pior!

Trabalhando neste meio há tantos e tantos anos já cansei de ver artistas criando para si mais problemas do que qualquer inimigo de música pentecostal poderia ter criado ( impressionante como nas músicas pentecas sempre tem alguém tramando alguma coisa pra derrubar o outro!). Como costumo comentar algumas vezes, há artistas que não precisam de inimigos. O maior inimigo destes é justamente a própria imagem refletida no espelho, ou seja, eles próprios! Em contrapartida há artistas que nem são tão talentosos assim, não são tão bonitos, elegantes ou mesmo possuem repertórios tão avassaladores, mas a forma como atendem às pessoas, como mantém relacionamentos saudáveis, como colocam-se sempre à disposição e, especialmente como curtem trabalhar, acaba transformando-os em artistas queridos do público, das lideranças, das mídias e assim conseguem manter uma carreira ativa e extremamente saudável.

E engana-se quem imagina que arrogância adquire-se depois de anos e anos de estrada. Estou estupefato de ver alguns fedelhos artistas que mal tiraram as fraldas que já na partida demonstram extrema arrogância e no bom carioquês, uma marra sem fim! Quer identificar um artista marrento, observe se ele fala na tercerira pessoa como se fosse uma entidade superior. Se o artista usa deste artifício linguístico, então saia de perto porque a chance de ser um marrento ambulante é enorme. Outra característica deste ser pode ser observada nas redes sociais onde 99% de suas postagens são feitas com suas fotos pessoais em momentos de êxtase completo. O cara vive no mundo de Doriana em que tudo que é dele é absolutamente melhor do que dos simples terráqueos. Artista ostentação de nariz empinado. Geralmente estes mesmos seres não reconhecem a ajuda e contribuição de terceiros. E quem é que pode chegar a algum lugar sem ter a ajuda de outras pessoas? Não conheço um único artista que tenha alcançado destaque somente com esforço próprio, isso simplesmente não existe!

Vou ficando por aqui porque preciso dormir e descansar para mais um dia intenso de trabalho. Este texto foi escrito com duas trilhas sonoras muito especiais. Comecei ouvindo o primeiro disco do cantor, músico e excelente compositor Juninho Black que em breve lançará seu trabalho pela Balaio Music com distribuição Sony Music. Muito bom! Muito bom mesmo! E finalizo este texto ao som de “Moderno à moda antiga”, obra prima de Marcela Taís, uma das maiores revelações da música gospel dos últimos anos. Este disco já está à venda nas plataformas digitais e no formato físico. Vale a pena conhecer!

 

Mega abraço a todos! Muitos sorrisos e alegrias!

 

Mauricio Soares, publicitário, cristão, jornalista, alguém que procura mesclar o profissionalismo sério com a leveza de quem entendeu a graça maravilhosa de Deus. Vamos nos divertir!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

2 Comments

  • Marco Esch

    29/05/2015 at 00:10

    Muito bom mesmo. Já vivenciei algo parecido… Num grande show, estávamos no camarim, eu, Jota Neto, Novo Som e um “outro abençoado” de renome; enquanto todos nós conversávamos com a galera da produção, rindo, brincando… O dito cujo, não arredava o pé de um cantinho sentado num banquinho e quando um fã, ao conseguir burlar a segurança, entrou, passou por todos nós e foi direto no “astro” que, mantendo-se de cabeça baixa com cotovelos nas coxas, nem olhava para a cara do fã que implorava-lhe um autógrafo num CD. Acreditem, ele não assinou, disse que não podia atender o fã e nem levantou a cabeça para olhar o rapaz. O segurança veio buscar o garoto, cheguei perto para não haver um mal-estar pois o garoto ficou completamente sem graça olhando pra gente. Foi então que entrei na área e pedi para o “astro” quebrar o galho, dar o tal autógrafo. Acreditem mais uma vez, ele olhou pra cara do garoto e resmungou algo tipo “me acontece cada uma…”. Bem, querem saber o motivo de tanta opressão? O contratante (empresário competente e sério), havia ligado para que os contratados aguardassem um pouco, pois estava num engarrafamento na Via Dutra por acidente, e os cachês estavam com ele. Essa notícia nós ficamos sabendo uns 40 min antes, por isso enquanto o “astro” esbravejava, eu, o J.Neto, Alex, Lenilton e Abdo não parávamos de rir e comer, coisa que crente faz muito bem por sinal.

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  • TheKid

    01/06/2015 at 23:04

    Mauricio, você com a experiencia que tem deve identificar em poucos encontros esse tipo de pessoa. Pergunta: uma gravadora, produtora ou distribuidora, enquanto empresa, deve levar isso em conta para contratar, pois isso em médio e longo prazo podem gerar resultados negativos ou ainda é algo irrelevante nessa esfera?

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