Sobre alguns assuntos …

Alguns temas que surgem no nosso dia a dia muitas vezes acabam tornando-se pautas por aqui no Observatório Cristão. Há insights que rendem um belo texto, alguns até mais do que um único post e tantos outros merecem especial atenção mas não se sustentam para mais do que 2 ou 3 parágrafos. Então, numa tentativa de não deixar de lado estes temas nanicos, o post de hoje será composto por vários pequenos assuntos que estão diretamente relacionados ao nosso mundinho e cotidiano gospel.

Começamos pelo marketing-carona. Nunca ouvi esse termo sendo utilizado, então posso jactar-me de criar esse novo formato de ação estratégica de marketing. Longe de sentir-me um marqueteiro ‘acima da média’ vou ‘baixando minha bolinha’ e explicando de bate pronto o que vem a ser isto. Hoje em dia este recurso vem sendo amplamente utilizado, em sua grande maioria por cantores jovens e sem expressão e, nada mais é do que a postagem de vídeos e clipes nas áreas de comentário nas redes sociais. Já vi marketing-carona no Instagram, no Twitter, mas especialmente no Facebook ele se alastra como uma sarna. É um tal de “confira o clipe do fulano de tal”, “veja o clipe da cantora tal” … e tudo isso rivalizando em atenção com o post original publicado.

Muitas das vezes essa ‘estratégia’ é usada à exaustão! Outro dia entrei na fanpage oficial da empresa em que trabalho e estava ali postado nas últimas 20 inserções dos artistas e notícias da gravadora, um famigerado vídeo de um artista do norte do país que se dizia ser a grande sensação do arrocha gospel … pânico total! Parecia uma espécie de maldição … por onde eu clicava aparecia aquele vídeo horroroso como se fosse uns zumbis de walking dead.

Então, que fique bem claro aos artistas e seus “açessores”: fanpage é algo pessoal, intransferível e não se deve invadir, mesmo que seja para pedir ajuda para as crianças albinas da Etiópia. Marketing carona é over demais! Cafona demais! Além de ser um claro atestado de mediocridade e oportunismo desclassificado. Fui claro?

Outro assunto que merece ser destacado no blog é sobre a inclusão de clássicos da música gospel e regravações. Estava eu ouvindo dias atrás um disco de uma jovem cantora que eu tinha enorme curiosidade em conhecer e no meio de um EP com 6 faixas, eis que me deparo com uma versão revisitada de um hino do Cantor Cristão ou Harpa Cristã para os mais pentecas. Alguém pode me explicar o motivo de no meio de um projeto de estréia de uma artista, o produtor incluiu uma canção pra lá de gravada e interpretada? Não seria mais interessante seguir no objetivo de mostrar a artista e toda sua versatilidade, investindo em músicas inéditas e novas propostas?

Um jovem artista precisa mostrar pra que veio ao mundo artístico. E definitivamente não será com uma canção tradicional, amplamente conhecida e regravada que ele mostrará seus dotes artísticos. A não ser que a proposta do disco seja de revisitar os clássicos (o que por si só não me agrada a ideia), deixar de gravar algo inédito para incluir aquela canção que todo mundo já ouviu, não me soa nada bem!

Ainda no tema repertório, outra questão que eu gostaria de comentar tem a ver com a inclusão de versões internacionais. Acho que o artista e seu respectivo produtor precisam fazer um pouco mais de esforço em pesquisa para buscar referências e canções internacionais que realmente mereçam ser regravadas como versões. É muito chato, diria até meio cômico ver uma mesma música ser regravada por 10 artistas brasileiros num mesmo momento. Já teve caso de 2 artistas na mesma gravadora lançarem versões internacionais idênticas num intervalo de 3 meses.

Um dos problemas que percebo em nosso meio é que as referências são as mesmas. Ou seja, tem o artista da moda e todo mundo sai gravando as músicas daquele determinado nome. O que acontece é que o que poderia ser bom, acaba saturando tamanha a quantidade de versões gravadas. Hillsong, Jesus Adrian Romero, Kari Jobe, Amy Grant, Michael W Smith, Sandi Patty … estes são alguns dos artistas que já foram exaustivamente versionados no Brasil. E a ‘culpa’ disso, principalmente em tempo digital onde tudo está ao alcance de poucos cliques, é basicamente a preguiça de pesquisar por novas sonoridades, novos nomes, referências e informação.

O quarto assunto deste post miscelânea é com relação às participações especiais. Quais são ou deveriam ser os critérios para as participações especiais num disco? Sinceramente não tenho uma lista sobre este assunto, mas analisando alguns projetos que contavam com participações especiais acabei criando algumas opiniões a respeito. Em primeiro lugar, num disco de 10 faixas em média, não dá para ter mais do que 2 participações, por mais que o artista tenha um enorme ciclo de amizades. Não se esqueça de que o artista principal deve ter máxima exposição no seu próprio projeto.

Outra questão neste tema é que espera-se um mínimo de relacionamento entre o artista e o seu convidado. Não entendo muito bem como pode funcionar a química entre os intérpretes se alguns acabam se conhecendo no próprio estúdio no dia da gravação ou às vezes, sequer se encontram quando suas agendas não permitem que gravem numa mesma sessão. É fundamental que um mínimo de afinidade os artistas tenham entre si. Assim como já mencionei sobre as versões internacionais, da falta de referências e da repetição de nomes, acho que esta mesma preocupação precisa se ter quando o assunto é participação especial. Acho que daria para fazer algumas coletâneas de CDs só com participações de Baruk, Leonardo Gonçalves, Adhemar de Campos, Pregador Luo, para citar somente alguns. Acho que o artista deve ter um senso crítico ao convidar determinados artistas que estão nesta fase ‘arroz de festa’. É melhor pensar em outras opções para que a participação realmente seja especial.

Ainda sobre as participações … tempos atrás fui obrigado a comentar com uma artista que em toda entrevista, toda postagem, qualquer oportunidade que surgia fazia questão de enfatizar a maravilhosa, a espetacular, a estupenda participação do determinado artista. Menos! Não precisa falar mais da participação do que do seu próprio trabalho. Isso demonstra, antes de mais nada, uma tremenda insegurança, o que não é nada bom!

Vou ficando por aqui. À medida que fui escrevendo este texto uma série de outros assuntos e caminhos foram surgindo, então não se assustem se voltarmos a falar com mais profundidade sobre um destes temas aqui apresentados.

Por hoje é só!

 

Mauricio Soares, jornalista, diretor artístico com mais de duas décadas de bons serviços ao mercado gospel e cada vez mais impressionado e maravilhado com as oportunidades que surgem no meio artístico.

11 Comments

  • Junior dos Passos

    11/08/2015 at 08:22

    – Eu não sei se seria antiético falar da canção (Wake) do Hillsong, me parece que só temos essa canção para os cantores gospel brasileiros regravarem.

    – Sabe o que mais tem me chamado atenção nos X feat.Y aqui no Brasil e no mundo os cantores nem precisam ser amigos e nem se conhecerem de longas datas, só basta está fazendo sucesso no momento pra serem requisitados nessas participações gerando uma grande expectativa do público e na realidade se esquecem de produzir uma boa música.

    – e por fim parabéns por em seu cast “Sony Music” uma das melhores e maiores cantoras gospel do Brasil, Cristina Mel, pra mim ela é a maior interprete que existe, podemos ouvi-la entoar diversas canções, seja pentecostal, pop, adoração, dia dos pais, mãe, romântico e infantil, estou só dizendo isso porque estou na espera do seu projeto acústico a qual foi liberado 1 vídeo até agora no seu canal Vevo.

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  • TheKid

    11/08/2015 at 14:50

    Bom, cada cabeça uma sentença sobre releitura de canções de HCC, mas, na minha opinião, ouvir essas canções em novos ritmos, com novas métricas, em outras vozes e arranjos, nos leva a uma bela sensação de nostalgia, aquele negócio de nova musica velha. Tem um album do nosso querido “acima da média”, chamado raizes que é um espetáculo, na minha opinião. Agora, penso que o produtor precisa de boa dose de criatividade para uma criação de um, como dizem no futebol, “elemento novo” em uma boa musica velha.

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    • Mauricio Soares

      11/08/2015 at 18:29

      Sim, como você disse cada caso um caso. No texto explico muito claramente quando é um caso onde não se deve incluir HCC. Valeu pelo comentário.

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  • Lucas

    11/08/2015 at 20:10

    Gosto muito de versões, principalmente as inéditas, mas, hoje em dia, um cd com mais de 3 versões ou regravações é ”estourando” o máximo aceitável. Alguns cantores parecem que voltaram aos anos 90, em que o cd era inteiro de versões.

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  • Lucas

    11/08/2015 at 20:14

    O senhor poderia fazer um texto falando sobre as premiações do meio gospel, até mesmo as extintas. Fica uma sugestão!

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  • Danilo de Castro

    12/08/2015 at 17:22

    Gostei muito deste post…. Vejo que hoje falta identidade e os artistas novos mostrarem seu diferencial… Em vez de fazer isto, muitos gravam participações especiais e regravam músicas consagradas para tentar entrar no mercado como surfar numa onda vamos dizer… Mas esquecem de ‘mostrar a que veio’

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