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Brasil

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Estamos em pleno período eleitoral e especialmente nestes dias recentes, em meio a uma verdadeira tragédia que foi a morte do candidato Eduardo Campos, revertendo por completo todos os prognósticos elaborados até então. Efetivamente este fato tumultuou por completo uma campanha que até então seguia modorrenta pós-Copa do Mundo. Mas já adianto que este texto não irá esmiuçar detalhes da política nacional, nem se aventurará a traçar perfis ou apontar possíveis desfechos no pleito de outubro. Não sou um estudioso do assunto, apesar de gostar muito de política e até mesmo acompanhar com certa atenção assuntos relacionados ao tema.

O texto de hoje na verdade já foi discutido em outras oportunidades e é um daqueles que ficaram guardados num canto do HD de meu computador. Muitos textos começo a escrever e por julgar não tê-los terminado à altura do nível dos meus 66 leitores, deixo-os guardados no computador até que num dia consiga finalizá-los a contento. Não estou recuperando um texto, mas trazendo à memória um assunto que por muitos e muitos meses vem tornando-se recorrente em meu sensor de assuntos para o blog.

No trajeto de minha casa ao escritório hoje em dia passo por inúmeros cartazes, banners de simpáticos e sorridentes candidatos a algum cargo eletivo. As fotos são sempre bem produzidas e na maioria das vezes não retratam a realidade do fotografado. Ali me deparo com senhoras de 60 anos aparentando menos de 30 sem o uso de Botox. O mesmo para candidatos que estão há mais de 50 anos na vida pública e em seus materiais de campanha aparentam não mais do que 40 anos de idade. Um verdadeiro elixir da juventude à base de muito photoshop.

E entre esses muitos cartazes, me chama a atenção a quantidade de pastores, bispos, apóstolos, irmãos e todo tipo de cargo eclesiástico! Em matéria publicada no Jornal Extra, o TSE – Tribunal Superior Eleitoral, afirma que o número de candidatos que utilizam o termo ‘pastor’ aumentou em 70% em relação à última eleição. Veja a matéria acessando http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/numero-de-candidatos-pastores-evangelicos-aumenta-70-13627077.html

Outro dia desses me deparei com uma publicação no Instagram de um amigo dizendo que “Crente Vota em Crente”. Na verdade esta expressão não é nova! Surgiu com força há alguns anos atrás e de tempos em tempos volta à baila. E é a partir deste insight que eu quero prosseguir neste post. Será que cometemos algum tipo de pecado quando optamos em votar em um candidato que não professa a mesma fé que nós? Ou em contrapartida, será que quando votamos num candidato evangélico eliminamos nossa responsabilidade da escolha e caso ele cometa algum deslize vá prestar contas diretamente a Deus?

Analisando um pouco da performance de alguns políticos evangélicos eleitos, chego a conclusão que pouco ou praticamente nada fizeram de diferença para nossa sociedade. Excetuando-se uns 2 ou 3 que assumiram bandeiras importantes, a grande maioria da classe política evangélica está mais preocupada em fazer homenagens, conceder títulos, buscar concessões de rádios e verbas governamentais e atender a solicitações de igrejas ou instituições. Muito pouco para quem se diz ‘escolhido por Deus’ para representar os evangélicos!

Alguém pode me explicar o significa a bancada evangélica no Congresso Nacional? Quem são? O que pensam? Quais as pautas de reinvindicações? Que grupos de interesse representam? Qual ideologia seguem? Quais são as grandes bandeiras que defendem?

Em todos estes anos em que exerci meu papel de cidadão comparecendo civicamente às urnas, confesso que sempre analisei meus candidatos pelo ponto de vista da proposta de trabalho e nunca por sua profissão de fé. Em alguns casos consegui aliar uma proposta política coerente com o fato do candidato ser cristão, mas nunca este segundo aspecto configurou-se como condição primordial para minha decisão. Posso até afirmar categoricamente que em alguns casos acabei me arrependendo pela decisão porque o candidato ‘crente’ acabou tendo uma performance medíocre quando eleito.

Sinceramente acho que é muito importante que o segmento evangélico tenha representação política nas diferentes esferas do poder político. A minha questão não é essa, mas que tipo de gente vem sendo colocada nestas posições e ‘representando’ a classe? Que tipo de atitude estes senhores e senhoras, pastores e bispos, têm tomado quando confrontados com as grandes questões da sociedade brasileira? Não os vejo como atores principais nos processos políticos, mas como mero coadjuvantes, ou como dizem em Brasília, como integrantes do baixo clero. Na verdade, infelizmente, muitos políticos da bancada evangélica têm sido mais destaque nos noticiários policiais do que políticos. Praticamente em todos os grandes escândalos recentes da república tivemos a presença ‘ilustre’ de políticos evangélicos. Do escândalo da oração da propina do GDF com imagens constrangedoras de pessoas agradecendo a Deus pela “bênção”, passando pelo escândalo da máfia das ambulâncias, mensalão, mensalinho, ONGS fantasmas, entre outras. Em todas há a participação ou menção de políticos evangélicos envolvidos, ressaltando-se que estes fatos ocorreram na esfera federal, ainda há uma vasta lista de outros problemas em âmbitos estaduais e municipais.

Minha expectativa é de que neste ano possamos ter políticos eleitos mais comprometidos com o bem estar comum. Se toda a sociedade for beneficiada com iniciativas que tragam melhoria na saúde, educação, segurança, emprego, aí teremos um país melhor. Se os políticos evangélicos forem capaz de fazer diferença no país, que estes mereçam o voto de confiança que receberão da população. Mas, de verdade, espero que estes governem para toda a sociedade e não somente para esta ou aquela denominação ou pior ainda, para seus interesses pessoais.

Crente pode até votar em crente, mas esse crente-político precisa agir como crente e não como político da forma que a sociedade os vê e sofre as consequências de seus atos desde sempre no Brasil.

Oremos.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, alguém que espera um país que valorize mais sua população.

Começo a escrever este texto como tenho feito nos últimos tempos, ou seja, a bordo de mais um voo cruzando o país. Desta vez, retornando ao Rio de Janeiro diretamente da capital capixaba e após 7 dias intensos de muito trabalho. Nesta semana estive em Goiânia, Brasília, Fortaleza e agora por fim, Vitória. Neste período tivemos contato com mais de 30 mídias, entre veículos do segmento gospel e seculares. Esta foi, sem dúvida, uma experiência marcante e que irá determinar uma série de decisões e estratégias daqui em diante.

O Brasil realmente é um continente e como uma enorme extensão geográfica possui diferentes climas, culturas, pessoas, hábitos e linguagens. Me delicio de ouvir os sotaques do povo lá de cima, especialmente do Ceará com suas gírias, neologismos, ritmo e humor inigualáveis. Acho fantástico o jeito meio caipira, meio non sense dos goianos divididos entre os costumes mineiros, nordestinos e o da própria terra no meio do Brasil. Estes foram dias muito especiais e certamente ficarão marcados em minha história por diversos aspectos e experiências únicas.

E no fim, já no último dia de viagem, tive o prazer de reencontrar um amigo dos tempos de adolescência de Igreja Batista de Niterói e que especialmente nos últimos anos passei a acompanhá-lo à distância, vendo o seu sucesso, recebendo notícias de sua família, mas que efetivamente por diversos motivos não tive oportunidades de encontrá-lo pessoalmente. Este amigo foi o preletor principal de um evento que reuniu lideranças evangélicas, políticos e algumas mídias da Grande Vitória. Em sua palestra, entre outros temas, o preletor destacou sobre o verdadeiro papel da igreja cristã na sociedade como agente transformador.

Este é um assunto que vem me incomodando especialmente nos últimos dias. Talvez por ter tido a oportunidade de conhecer diferentes ministérios, diferentes líderes, diferentes correntes de pensamento e atitudes no meio evangélico nos recentes dias, ouvir uma palestra desafiadora como a que tivemos neste último dia apenas sirva para dar um fecho final a tudo o que venho meditando e matutando até então.

Hoje no Brasil estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas se intitulem ‘evangélicos’. Talvez possa ser um pouco menos ou um pouco mais dependendo de como se queira ‘vender o peixe’. O certo é que o segmento evangélico hoje é uma parcela muito representativa em nosso país. Especialmente na última campanha política para presidente que elegeu Dilma Roussef, os mega-ultra-caciques-evangélicos foram tratados com toda a pompa e circunstância como se tivessem o poder de influenciar o voto de seu rebanho (ou seria manada?). Mas a verdade é que este voto de cabresto espiritual já não tem a mesma força de tempos atrás. Nem mesmo nas igrejas pentecostais ou neo-pentecostais onde alguns líderes ainda se julgam senhores feudais com plenos poderes!

Mas o caminho que eu quero seguir neste texto não tem a ver com uma análise política e a força do segmento evangélico ou coisas do tipo. Eu gostaria de enfocar sobre outra ótica e que também tem a ver com poder, sociedade, força, resultados. As grandes revoluções não começaram grandes! Pelo contrário, as grandes mudanças na sociedade mundial surgiram a partir de pequenos grupos liderados por grandes homens, mesmo que estes homens tenham usado seus potenciais para coisas nem sempre positivas. Mas efetivamente começaram pequenas, suas ideias contagiaram poucas pessoas, depois foram crescendo, tomando espaço, até que num determinado momento, tornaram-se tão grandes e intensas que transformaram a sociedade e a história mundial.

Hoje somos 40 milhões de evangélicos no país, talvez. Mas seguramente somos um grupo bastante representativo, sem dúvida. Em algumas regiões, cerca de 40% da população é evangélica. Em determinadas cidades, as mídias evangélicas dominam e rivalizam com os veículos seculares em audiência e relevância. E aí me pergunto: por que será que a igreja evangélica brasileira não consegue influenciar positivamente a sociedade de nosso país?

Esta pergunta vem me assolando e incomodando muito nos últimos dias e confesso que quanto mais eu discuto e analiso sobre este tema, mais me vem uma profunda angústia e tristeza por constatar que estamos distantes de mudar este panorama. Se estudarmos a história da igreja iremos encontrar inúmeros personagens, épocas e fatos que comprovam a importância da fé cristã alterando rumos da sociedade. Basta conhecermos a história de John Wesley que transformou positivamente toda uma sociedade para constatarmos que, sim, é possível que a igreja evangélica transforme o seu ambiente à volta. Mais recentemente temos o exemplo de dois países que foram profundamente transformados pela força do Evangelho, a saber: nossos vizinhos continentais, a Colômbia e a distante Coréia do Sul. Mesmo os países europeus com seus padrões elevadíssimos de qualidade de vida, segurança, educação e outros indicadores, só atingiram estes patamares pela influência da fé protestante e os ensinamentos calvinistas, entre outros, em sua história.

Então, do que se jactam os líderes evangélicos de nosso país gritando a plenos pulmões de que hoje somos a maior nação cristã do mundo? Por que estamos comemorando ufanisticamente de que em alguns anos poderemos ser maioria religiosa em nosso Brasil? De que tem adiantado ver que o número de igrejas evangélicas tem crescido exponencialmente ano a ano?

A violência tem diminuído em nosso país ou os presídios estão cheios de Isaques, Matusaléns, Enoques, Lucas e tantos outros delinquentes com nomes bíblicos? Se fizermos um censo nas cadeias certamente ficaremos estarrecidos pela quantidade de filhos de crentes que se desviaram para uma vida de crimes porque seus pais não deram a educação e exemplos dos mais corretos! Ou mesmo porque as igrejas em vez de acolhê-los pesou a mão expulsando-os do convívio. Triste realidade!

Outras perguntas continuam me incomodando. A ética tem sido característica de nosso país e população? Mesmo (ou principalmente) entre os evangélicos? As práticas e padrões bíblicos têm se disseminado na sociedade brasileira? Temos influenciado positivamente nossa sociedade? Na política, a bancada evangélica tem sido um bloco de defesa da família, dos bons costumes, da ética e da moral ou os pastores-políticos tornaram-se apenas um bando ávido por benesses, concessões de rádio e cargos públicos?

Confesso que as respostas a estes questionamentos são em sua esmagadora maioria, nada positivas! Não mesmo! E isso me causa repulsa, tristeza, vergonha e até mesmo, cansaço … não me acho um idealista, um sonhador, apenas acredito que o Evangelho tem um papel transformador e isto para mim é real. Então, por isso e somente por isso, ainda acredito que o nosso país possa ser mudado. A esperança, como dizem, é a última que morre … mas hoje, sem dúvida, o seu estado é crítico na UTI.

Ajamos!