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Viver de Design

Pouco antes de partir deste mundo, o poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2003) concedeu sua última entrevista para tv.

Lembro-me muito bem: mal se via a cabeça do velho, que aparecia entrincheirado atrás de pilhas e mais pilhas de livros, fotos, anotações e dicionários.

O ponto culminante do programa foi a explicação que o poeta deu para manter não apenas uma, mas duas salas caóticas, praticamente iguais, repletas de tanta papelada: “Estou traduzindo Homero e Goethe, e eles dois não se dão. Então, pra não me prejudicar, Goethe fica nesta sala e Homero na outra.”

Sim, um cara desses tinha mulher: mas isso é pra outro post.

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Se você tem o desprazer de me seguir no twitter, já deve ter ouvido falar sobre minhas recorrentes idas ao #CCBB, Centro Cultural Banco do Brasil, espécie de enclave europeu no Centro do Rio, onde se encontram as melhores exposições e as pessoas mais estranhamente adoráveis da #CidadeMaravilhosa.

Foi numa dessas idas, em 2008, que revisitei o trabalho da Família Ferrez, numa exposição montada com cerca de 400 fotos, todas elas extraídas de um acervo de 8 mil negativos — acervo que foi doado pela família ao #ArquivoNacional, que tem sua sede no #RiodeJaneiro.

As fotos, boa parte delas do final do século XIX, são de uma beleza indescritível.

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No último sábado, como de hábito, estive numa livraria pra tomar um café e torrar meu cartão de crédito com papel, livros, essas coisas que não dão status entende?

Quando já tinha me encantado com aquele clima, afinal caio sempre nos mesmos golpes da indústria cultural, dei de cara com um Moleskine que trazia a reprodução de uma obra do pintor holandês Vermeer — Johannes Vermeer (1632-1675).

Claro, levei o caderno e fui comparar a impressão da capa com a do livro que tenho sobre ele, de 1967, 68, sei lá.

Em casa, enquanto examinava as imagens, resolvi tirar umas fotos que ilustrariam este post.
O tema já estava escolhido: Vermeer e a permanência do sublime.

O supreendente burburinho diante da capa do cd “Ainda não é o último”, álbum de Resgate que inaugura o projeto gospel da Sony Music, oferece rara oportunidade para comentar sobre aspectos pouco conhecidos do trabalho de criação.

Como assumi a responsabilidade de publicar no site da banda detalhes relativos ao processo que originou o material gráfico, não será neste texto que trataremos de explicações para a escolha da imagem, a escolha do modelo do carro, ou sobre o porquê das fotos terem sido feitas num café. (Sim, posso adiantar que tudo isso tem uma motivação própria, e que nada foi feito por acaso neste trabalho.)

Em texto assinado por Jeffrey Zaslow, a edição de hoje do The Wall Street Journal analisa o que o autor chamou de “A Era da Humilhação”: o tempo em que vivemos, quando qualquer um pode sacar um celular e com ele arrasar pra sempre a imagem de um artista, bastando pra isso um ângulo desfavorável, uma barriga indecente, ou uma performance abaixo da crítica.

Num dos trechos, o jornalista cita o caso de Whitney Houston — voz singular que, depois de invadir corações e mentes durante os anos 80, desapareceu da mídia, tendo ressurgido recentemente com novo álbum depois de ver seu nome envolvido em histórias escandalosas.

Houston tenta um retorno glorioso, buscando um lugar de honra pra quem um dia, pela extensão do seu sucesso, foi comparada a ninguém menos do que Michael Jackson.

Se em estúdio o talento da artista permanece intacto, como comprova o último lançamento pela Sony/BMG, ao menos num dos shows da turnê “Nothing But Love” ela teve problemas, praticamente perdendo a voz diante da platéia em Londres.

Embora isso já tenha ocorrido com nomes consagrados, como Maria Callas e Elvis Presley, foi a captura do momento em vídeo que detonou a onda de comentários maliciosos envolvendo o nome da cantora.

Ninguém esquece: final da Copa do Mundo, de 2002, depois da derrota na Copa anterior, todo o país torcia por mais um título. Fim de jogo: liderado pelo capitão Cafu, um time experiente derrota a poderosa Alemanha e leva mais uma Copa.

É a glória: como capitão do time vencedor, Cafu se prepara para o apogeu de sua carreira.

É a hora de escrever para sempre o seu nome na galeria dos grandes heróis esportivos de todos os tempos.

Naquele momento, 1,1 bilhões de expectadores estavam de olho nele, observando cada gesto do grande campeão.

Intimamente, muitos se perguntavam: “o que ele fará?”

Criará algo emblemático como fez Bellini ao inventar o gesto de erguer a taça em 58?
Será um retrato da elegância como foi Carlos Alberto, na épica conquista do Tri em 70?
Ou preferirá repetir a garra de Dunga, no tetra de 1994?

Agora eu quero falar com você artista gospel, líder de banda, cantor ou cantora.

Quero falar com você que já escolheu o repertório com todo o cuidado, que já tem um produtor à altura das suas pretensões, e que já dedicou tempo e dinheiro ao seu projeto de se lançar — ou de se manter ativo — num mercado cada vez mais competitivo.

Se é verdade que um cd mal gravado, mal mixado, e com músicas ruins comprometerá seriamente o seu sonho de fazer carreira como cantor ou cantora, também pode-se dizer sem nenhuma dúvida que, sem um trabalho gráfico à altura, você vai continuar sendo o talento que ninguém sabe, que ninguém viu e, pior, pelo qual ninguém irá pagar.

Não adianta nada gravar em Abbey Road, em 180 canais, bebendo Água Bling (US$40,00 a garrafa de 750ml) e ao som de uma orquestra de Stradivarius: se você quer que alguém leve o seu cd pra casa, você vai ter que passar no teste da prateleira.

Pra quem acompanha a carreira da Banda Resgate já podemos adiantar que, palavras do próprio Bispo Zé Bruno, este é o melhor trabalho ao longo de toda a carreira do quinteto. O CD “Ainda não é o último” está previsto para ser lançado na segunda quinzena do mês de maio e será masterizado no Sterling Sound em Nova Iorque, mesmo estúdio onde grandes nomes do mundo artístico finalizam seus projetos. Para conhecer a potência deste estúdio, vale a pena dar uma espiada em www.sterlingsound.com.

Com cliques de Décio Figueiredo, o projeto gráfico foi desenvolvido pelo designer Carlos André Gomes da equipe gospel da Sony Music. O projeto teve tratamento de super campanha, incluindo ‘defesa de idéias’ num belo composite que serviu como excelente briefing para que o fotógrafo produzisse as fotos.