Talento não é Tudo

WH

Neste último fim de semana o mundo foi abalado por duas notícias bombásticas. A primeira e mais assustadora manchete tem a ver com o massacre de jovens em um acampamento na ilha Utoeya, onde ocorria um encontro da juventude do Partido Trabalhista Norueguês. O país é considerado um oásis de civilidade, segurança e detentor de um dos mais elevados índices de qualidade de vida do mundo com uma população de 4,8 milhões de habitantes. Foi neste país em que, de forma surpreendente, aconteceram dois atentados perpetrados por um maníaco de nome Andrew Behring Breivik de 32 anos, que mataram 76 pessoas.

A segunda notícia, que também tomou conta dos noticiários em todo o mundo, não chega a ser nada surpreendente: a morte da cantora Amy Winehouse. Dona de um talento magistral, a jovem cantora em apenas dois únicos trabalhos lançados tornou-se um ícone mundial renovando a música pop e ao mesmo tempo trazendo um ar vintage bem anos 60 com extrema segurança, qualidade e principalmente autenticidade.

Infelizmente, diferentemente do massacre na Noruega, a morte precoce de Amy no auge dos seus 27 anos, era algo absolutamente esperado tamanha sua vontade auto-destrutiva de envolver-se com drogas, bebidas e péssimas companhias. Seu desmoronamento pessoal e artístico foi acompanhado passo a passo pela mídia em tempos de instantaneidade da informação. A cada show, a artista passou a ser comentada mais pela sua performance, ou melhor, pela não-performance artística e suas gafes do que pela qualidade de sua voz e interpretação. A cantora foi pouco a pouco, ou de forma bastante clara, dose a dose, literalmente destruindo sua vida e carreira artística.

Hoje, lendo os noticiários me assusto ao deparar que parentes da artista se declaram perplexos com o final trágico da cantora. Parece-me claramente que estas pessoas querem passar a idéia de que foram surpreendidas pelo grau de destruição imposto pela artista a si própria como se isso não fosse latente às nossas vistas dia após dia, show após show. Então quando leio que pessoas à sua volta hoje estão tristes, chorosas pela morte da pessoa Amy Winehouse, entendo a dor pela perda de uma amiga, de uma filha, de um parente. Agora, quando vejo pessoas que trabalharam diretamente ou conviveram proximamente, mesmo familiares, à artista Amy Winehouse afirmarem que estão chocados com o fim da vida prematura deste talento mundial, o que sinto é uma tremenda repulsa por ver como estas pessoas estão sendo hipócritas com esta situação.

Não quero pegar carona neste momento num assunto que está em voga e muito menos julgar a vida da artista. Não me sinto neste direito! Mas como profissional lidando com pessoas, egos, mentalidades artísticas, assessorias, carreiras e tudo relacionado ao universo musical, me sinto completamente à vontade para dizer que estas pessoas que cercavam Amy Winehouse, sua entourage teve grande responsabilidade no resultado final catastrófico da artista.

E é neste ponto que quero mudar o foco, saindo de uma artista de reconhecimento mundial, para o dia a dia dos artistas do segmento gospel. Assim como Amy ou mesmo Elvis Presley foram vivendo um processo de auto-destruição acompanhada e de certa forma permitida por seus assessores, familiares e fãs, muitos artistas do mundinho gospel em proporções menores têm seguido ou seguiram no mesmo processo kamikaze de suas vidas e carreiras.

Já escrevi sobre esse mesmo tema tempos atrás, mas nunca é demais repetir que todo artista deve observar com muita atenção quem hoje está ao seu lado assessorando-o e cuidando de sua carreira. Ao longo destes 22 anos de mercado já pude conviver com mega astros da música gospel que hoje não passam de simples pirilampos, vaga-lumes piscando desnorteados pelo caminho. Em 99% dos casos de artistas que vivem o ostracismo, a ausência de pessoas de qualidade e seriedade ao lado foi determinante!

Mais recentemente convivi com um artista que teve sua carreira altamente prejudicada por um parente que decidiu tomar as rédeas do projeto e detonar todo o relacionamento com a gravadora. Hoje esse artista simplesmente tomou um pó de pirlim-pimpim e sumiu! Acabou! Evaporou! Virou história. E assim como este caso, temos inúmeros outros para ilustrar esse texto, mas vamos focar na solução e deixar de lado o momento “roupa suja”.

Tem uma frase ou um conceito que costumo repetir várias vezes (coitado de quem trabalha comigo que ouve isso toda hora!) e que se aplica perfeitamente a este momento. Quando nascemos Deus não nos dá opção de decidirmos em qual família nasceremos. Simplesmente nascemos. Agora, Deus nos dá a opção de escolhermos com quem vamos andar e conviver. Isso é uma opção, uma liberdade individual! E por isso temos uma responsabilidade absurda! Da mesma forma, o artista deve selecionar com máximo critério quem está à sua volta e principalmente quem cuidará de sua carreira! Não dá para tratar de forma descompromissada essa área porque é fundamental para o desenvolvimento saudável de uma carreira de sucesso!

Ao longo de minha vida profissional pude também conviver com alguns mega líderes eclesiásticos e confesso que muitos deles erraram justamente na escolha de quem estaria à sua volta porque optaram por contar com séquitos e não com conselheiros. E quando um líder não é confrontado por seus pares ele passa a ser um déspota, mas isso é tema para outro texto que quem sabe um dia terei inspiração para tratar.

Voltando ao tema central, mais uma vez quero deixar claro que grande parte do sucesso de um artista é conquistado por sua equipe e assessores. Portanto, se você pretende ter uma carreira longeva de sucesso, observe atentamente quem são as pessoas que estão à sua volta!

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Mauricio Soares, publicitário, jornalista, blogueiro, pacifista, amante da natureza e da boa música.

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