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TAMANHO NÃO É DOCUMENTO!

Tempo chuvoso no Rio de Janeiro. Tarde cinzenta. Um clima diferente do normal de uma cidade pulsante, reconhecida mundialmente por sua luminosidade e intensidade. Nestes dias está tudo meio parado, meio lento … e não é que também entrei nesse ritmo a ponto de conseguir reservar alguns minutos para escrever mais um post para o blog? Interessante isso, afinal boa parte de meus textos foram escritos em meio a saguões de aeroportos ou mesmo a bordo de aviões cruzando o país e exterior nos últimos 8 anos, então permitir-me uma pausa para dedicar-me a escrever um novo post no meio do dia é realmente algo tão diferente como deparar-me com um dia gris na Cidade Maravilhosa.

Hoje mais cedo, a caminho do trabalho tive um rápido insight que servirá como mote para este texto. Quando estas ideias surgem assim do nada, tenho como hábito anotar em algum papel ou mesmo gravar em meu iphone. Neste caso, estava dirigindo meu carro então não fiz uma coisa nem outra, simplesmente comecei a falar comigo mesmo em bom e alto som a respeito do assunto. Quem, por acaso, cruzou meu caminho nesta manhã e achou estranho, meio doido, me pegar falando sozinho, saiba que eu estava em pleno exercício de mentalização e criação. Pelo menos desta vez tenho uma boa desculpa para um comportamento não-usual.

Desde que me entendo por gente no meio profissional ouço as pessoas afirmarem categoricamente que uma música deve ter no máximo 3 minutos e 30, nunca além de 4 minutos, porque isso tornaria-a inviável do ponto de vista comercial, já que as emissoras de rádio preferem canções mais curtas. Outra justificativa é de que a atenção do consumidor não permanece cativa por tempo superior a estes 3 ou 4 minutos e, ainda, do ponto de vista artístico, é de que a música não precisaria de tempo além da conta para mostrar a que veio. Se o intérprete/compositor não consegue passar seu recado em 3 minutos, não será em 5 ou 6 minutos que terá êxito na empreitada. Confesso que todas estas questões serviram e ainda servem como um bom padrão no meu dia a dia profissional. Procuro sempre orientar os artistas de que devem manter o padrão de 3 a 4 minutos para cada canção e muitas das vezes uso destes argumentos citados acima para embasar meu discurso.

A verdade é que assim como diz o discurso, efetivamente TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, ou seja, há inúmeras canções de 3 minutos que não deveriam ter nem 30 segundos e tantas outras que extrapolam o formato padrão com seus 5, 6 minutos que no fim deixam aquele gostinho de quero mais. Então, antes mesmo de nos preocupar com o tamanho da faixa, o que vale mesmo é saber se a música tem ou não qualidade. Parafraseando um grande profissional que eu tenho a honra de conviver no meu dia a dia e que inclusive já citei-o em um dos meus posts, no fim das contas, o que fica é a MÚSICA, ou seja, não importa se o artista é bonito, se seu figurino é a última moda, se ele possui rios de dinheiros pra investimento na carreira, se as fotos do projeto foram feitas pelo maior fotógrafo do mundo, se o clipe de divulgação contou com budget estratosférico, se o disco foi mixado e masterizado no exterior … nada disso terá valor se no fim de tudo a música não tiver qualidade!

Para derrubar essa máxima de que o tempo é importante na formação de um hit temos inúmeros clássicos que extrapolaram e muito o tempo padrão. Não quero nem apelar para relembrar que Faroeste Caboclo, mega sucesso do Legião Urbana, não tinha refrão e estendia-se por 8, 9 minutos intermináveis … não precisamos disso, apesar de ser um exemplo e tanto! Mas há inúmeros casos para corroborar de que o tempo não é tão determinante na formação de um hit. Se formos focar somente para o meio gospel há outros inúmeros exemplos, basta relembrarmos hits de Diante do Trono, David Quinlan, Toque no Altar e toda aquela turma do louvor-extravagante-mantra-gospel com suas músicas de refrões repetidos à exaustão.

Se a música é ruim, ela será ruim com 3 ou 8 minutos. Não importa o tempo, o que realmente faz a diferença é sua qualidade!

Ainda sobre o tema TAMANHO NÃO É DOCUMENTO, leio de vez em quando, alguns comentários sobre a quantidade de faixas num disco. Como se um disco de 9 ou 10 faixas tivesse menos valor do que um álbum com 14 ou 16 faixas. Me parece até um assunto meio anacrônico já que em tempos digitais hoje as canções assumem identidade individual. Vivemos o tempo dos singles, das músicas a la carte, do consumo direto, então discutir sobre quantidade de músicas num disco soa como algo estranho, mas ainda assim, esta discussão torna-se inócua quando observamos que mais uma vez quantidade não significa qualidade. Arrisco a dizer que a esmagadora maioria dos discos acima de 14 faixas tornam-se desinteressantes, enfadonhos e muitas vezes aborrecidos tamanha a quantidade de músicas sem qualidade!

Sempre digo aos artistas que em termos de montagem de repertório não podemos confundir quantidade com qualidade. Se não conseguimos conquistar a atenção do público com 8 ou 10 músicas, certamente não teremos sucesso com 16 … não é pela existência, mas sim pela qualidade! Nestes sites e blogs do mundinho gospel que de vez em nunca eu entro para ler a parte dos comentários, às vezes surge esse assunto, com os ‘entendidos’ descendo a lenha nas gravadoras e artistas que lançam discos com 10 faixas ou até menos. A impressão que me dá quando me deparo com um destes comentários é de que estas pessoas lidam com música como se estivessem diante de uma antiga mercearia com aquelas balanças onde literalmente o produto vale o quanto pesa. Surreal!

Assim como um disco não pode ser analisado pela quantidade de músicas, também não pode ser avaliado pela quantidade de fotos, de lâminas do projeto gráfico ou mesmo pela tiragem inicial de fabricação. Explicar isso ao artista e também ao público é um desafio e tanto, digno de Hércules, mas com o crescimento do meio digital todas estas questões passam para um plano de menor importância, afinal, como já mencionei antes, neste novo ambiente, cada música assume uma importância muito grande, um caráter individual no melhor estilo salve-se quem puder e, aí se a música não tem qualidade, o risco dela não se salvar é enorme!

Este mesmo tema, TAMANHO NÃO É DOCUMENTO nos permite uma série de outros insights e caminhos. Vou ater-me a apenas mais um, entre tantas abordagens e que tem a ver com as questões de produção visual como clipes e DVDs. Atualmente o DVD de maior vendagem no mercado gospel e o de maior visualização no YouTube/VEVO é justamente um projeto gravado com apenas 4 câmeras. É isso mesmo! Um DVD gravado com míseras 4 câmeras e nem por isso com menor qualidade, sensibilidade estética ou takes interessantes. Para quem ainda não se ligou de qual projeto estou falando vou desvendar o mistério afirmando que o DVD “Princípio” com Leonardo Gonçalves e dirigido por Hugo Pessoa foi totalmente concebido e executado baseado em apenas 4 câmeras. Já cansei de ver DVDs gravados com 16 câmeras e que no fim o resultado foi assustadoramente desastroso! O mesmo posso dizer sobre clipes onde não necessariamente ter o maior número de câmeras, equipamentos, efeitos especiais ou mesmo investimento garantem um resultado satisfatório. Outro dia mesmo comentei a respeito de um vídeo do Ministério Avivah de Florianópolis (o vídeo está postado em nosso blog) que mesmo extremamente simples consegue transmitir com muita eloquência sua mensagem. Não são os painéis de LED, as parafernalhas e traquitanas de equipamentos, os figurinos de alta costura, cenários mirabolantes e afins que conseguirão garantir um projeto de qualidade artística. No fim, só resta a música … esforcemo-nos para dar à música seu devido valor e respeito.

Boa semana!
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor de marketing, 1,78m … ainda bem que tamanho não é documento!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

3 Comments

  • Lucas

    02/06/2015 at 19:49

    O clipe da canção De tarde, da Cristina mel, por exemplo, é simples, mas na medida certa, tudo se encaixa; se houvesse mais informações estragaria. Também gosto do DVD Cura-me, da Fernanda Brum, quanto a simplicidade e extrema qualidade.

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  • Monique Crespi

    11/06/2015 at 03:38

    Excelente postagem.
    Riquíssimas informações!
    Sempre nos ajudando com as ótimas dicas e bagagens de experiências da vida.
    Parabéns. Deus te ilumine cada dia mais.

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