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Tome fôlego porque o texto é enorme! Informações importantes para quem ainda está perdido precisando de ajuda

Nestes 10 anos de Observatório Cristão já tive épocas mais e menos intensas de produção de textos. E acredito que os nossos seletos e fiéis 69 leitores já entenderam e respeitam a forma como lido com a periodicidade de publicação de textos, que na verdade, é não ter absolutamente regra alguma, datas fixas, sequência ou padrão. Escrevo apenas quando tenho tempo e, mais do que isso, quando tenho vontade e insights verdadeiramente interessantes. Diferentemente de sites ou blogs que invadiram a web, o Observatório Cristão não gera um único centavo de receita, o que para alguns pode criar uma ideia de desperdício, desleixo ou mesmo de desconhecimento sobre práticas de monetização e coisas afins. Na verdade, minha relação com o blog é muito mais individual, pessoal, do que algo voltado ao público. Mesmo entendendo que nosso blog vem influenciando e ajudando a milhares de pessoas, lido com este projeto como sendo um hobby, algo que deve me trazer prazer, satisfação e principalmente, servir quase que como uma terapia.

Dito isto, gostaria de comentar sobre o tempo longo sem atualizações do blog … não publicamos nada por estes dias justamente pela mais absoluta falta de tempo e, porque não dizer, pela falta de disposição física e mental, afinal estes foram dias de muitas viagens, palestras, trabalho, tensão, transpiração e dedicação. No mês de agosto participei da Expolit em Miami, feira que reúne boa parte do mercado cristão da América Latina. Para quem não sabe, o projeto de música gospel que desenvolvemos no Brasil vem servindo como modelo para outros escritórios da Sony Music na região latina e EUA e, por isso mesmo, tenho atuado como mentor e quase um gestor de conteúdo cristão em nossas filiais. Depois de alguns dias na terra do Tio Sam, voltamos ao Brasil e seguimos diretamente para a Expo Cristã em São Paulo. Em 3 dias absurdamente intensos, pudemos acompanhar de perto o ressurgimento da mais tradicional feira de negócios do mercado gospel no Brasil e será sobre estes dias que iremos seguir comentando neste texto. Mas antes, quero seguir com minha saga dos últimos dias … após a Expo Cristã, voltamos ao Rio de Janeiro e poucos dias depois estávamos novamente no Estado de São Paulo onde gravamos o novo projeto de Gabriela Rocha. Já no dia seguinte, foi a vez de rumar para a capital mineira e acompanhar as gravações do novo projeto do Preto no Branco. Mais uns dias e participamos das pré-estreias do filme “Em Defesa de Cristo” no Rio e São Paulo. Ou seja, escrevo este texto refastelado em minha cama, ‘curtindo’ meu descanso em casa, tentando recuperar as energias para os próximos dias. Para quem pensa que a vida de um executivo de gravadora é uma maravilha, só este relato já dá uma pequena dimensão sobre a rotina que vivemos.

Mas sem alongar-me por mais linhas, vamos falar da Expo Cristã 2017. Geralmente, em edições anteriores, publicávamos textos antecedendo o evento e dias depois voltávamos a escrever outros posts com os comentários e observações pós-feira. Neste ano não foi possível escrever nada antes … até porque vale ressaltar que a Expo Cristã ficou 6 anos fora do circuito e regressou ao mercado somente neste ano, já sob nova direção. A feira em vários aspectos foi um sucesso estrondoso e para muitos (inclusive este que vos escreve!) uma grande surpresa! Havia um certo ar de desconfiança reinante no mercado, inclusive muitas empresas tradicionais optaram em ‘assistir de camarote’, outras participaram de forma bem tímida, mas a verdade é que quem apoiou e participou da Expo Cristã já em seu retorno, vibrou com a presença de público, mídias, artistas e expositores. Sucesso absoluto!

Tive oportunidade de participar de 2 workshops durante a Expo Cristã. Na verdade, diria que foram 2 oportunidades de maior proximidade com artistas, em sua grande maioria, jovens iniciantes. A primeira oportunidade foi no Encontro com as Gravadoras, evento sugerido por mim à organização da Expo Cristã e, imediatamente aceito e aderido por outros executivos de gravadoras – Som Livre, Canzion, Mess e Universal Music. Neste evento falamos sobre o mercado fonográfico, tendências, oportunidades, o momento digital e questões práticas como por exemplo, questões fundamentais para chamar a atenção de uma gravadora. O evento prosseguiu no esquema de perguntas, respostas, rápidos debates. Entre as principais perguntas da plateia, destaque para questões sobre posicionamento artístico em tempos digitais. O que fazer? Como investir? O que priorizar? À medida que as perguntas iam surgindo, tentávamos esclarecer as dúvidas e propor caminhos. No fim, mesmo todos os palestrantes deixando claro que nosso foco era conteúdo digital em detrimento ao formato físico, fomos inundados de CDs, DVDs, Pendrives e afins. Após este workshop atendi a pelo menos umas 80 pessoas, acuado num canto do hall de entrada dos auditórios. É uma experiência muito incrível este contato mais perto com as pessoas, mas traz um peso enorme ao corpo, no fim do dia cheguei a comentar de que havia vivido um dos dias mais cansativos de minha vida … de fato!

No segundo workshop, por incrível que possa parecer, realizado no mesmo dia, tive o prazer de dividir o palco com o editor de música gospel da Deezer Brasil, Lincoln Baena. Nossa palestra, no melhor estilo ‘toca e recebe’ como dois meia-atacantes, seguiu-se por 1 hora e meia apresentando números, melhores práticas, ferramentas e dicas do mercado digital. No fim, abrimos espaço para perguntas e novamente ouvimos dúvidas que haviam sido mencionadas no workshop anterior. Tentando resumir o conteúdo destas dúvidas vou elencar algumas destas perguntas dos participantes. Assim, também facilito a todos aqueles que não puderam estar presentes nos workshops. Vamos às dúvidas …

Em primeiro lugar, é fundamental que todos tenham entendimento de que o formato de consumo de música definitivamente mudou! Não adianta campanha de oração, corrente de 7 semanas, beicinho, bater o pé, espernear … nada disso! A forma como o público consome e irá consumir a música hoje e nos próximos anos, se alterou a favor dos aplicativos digitais, de áudio e vídeo streaming. Então, em primeiro lugar, se você é artista e ainda não está ambientado com os aplicativos Deezer, Apple Music, Spotify ou afins, não perca mais tempo e faça uma imersão intensiva! Deezer e Spotify são os dois mais populares aplicativos disponíveis no Brasil. O primeiro, inclusive está disponível para todos os assinantes da operadora de telefonia TIM e de forma gratuita, já inclusa nos pacotes diversos. No entanto, tanto Deezer como Spotify possuem assinaturas gratuitas, também conhecidas como contas Freemium. Há opções de contas família com custos extremamente convidativos e mesmo na opção Premium com assinatura mensal o valor corresponde ao preço de um CD, ou seja, não há motivo lógico para que o público migre imediatamente para os aplicativos. Com tantos prós, é fundamental que os artistas sejam usuários contumazes dos apps de áudio streaming.

Outra informação muito destacada por nós no workshop é de que os artistas não podem ter apenas um aplicativo, mas preferencialmente as 3 principais opções, ou seja, Deezer, Spotify e Apple Music, especialmente os 2 primeiros. Isto porque cada aplicativo atende a um grupo específico de consumidores. Geralmente quem se utiliza dos serviços da Deezer não tem conta no Spotify e vice-versa. Portanto, para uma eficiente comunicação, estratégias e ações, todo artista precisa ter acesso às plataformas individualmente. Por exemplo, quando um artista cria uma Playlist em seu perfil artístico, o correto é que todas as plataformas tenham este tipo de conteúdo, lembrando que cada plataforma tem uma característica própria e perfil de consumidores específico e isto deve-se ser levado em conta na montagem do repertório das Playlists. Em breve, irei escrever um texto abordando especificamente sobre este tema.

“Então, o que faremos com os CDs que temos em estoque?” – pergunta de um artista de meia-idade que relatava ter alguns milhares de CDs na garagem de casa, feita com voz trêmula, olhar fixo e uma certa transpiração excessiva.

Há algumas opções para quem possui um estoque de CDs ocupando espaço na cozinha, quarto, varanda ou garagem. A primeira opção é você usar estes CDs como um material de divulgação. Em Barretos, interior de São Paulo, e algumas outras cidades estratégicas do país, vários artistas e escritórios contratavam promotores para distribuir CDs promocionais em semáforos, cruzamentos, festas e universidades. Esta é uma opção e, ainda, o envio de CDs para algumas rádios pelo país também como material de divulgação e promoção. Lembrando que hoje nem mesmo as rádios estão muito simpáticas aos CDs como prêmios aos ouvintes, só por um motivo bastante simples: o público não está mais se dando ao trabalho de retirar os prêmios (CDs) na emissora. Outra opção para quem tem muitos CDs em estoque é aumentar a agenda de eventos e usar estas oportunidades para vender ou distribuir estes CDs. Ainda haverá por um tempo uma cultura de compra e venda de CDs em eventos nas igrejas, nestes casos, não estamos tratando de uma demanda e sim, de uma oportunidade do público em aproximar-se do artista e ter ali um tipo de recordação. A este fato específico, costumo dizer que o CD funciona como um “Porta-Autógrafo”. Uma terceira opção é reunir os CDs e começar a criar objetos de decoração criativos, algo como mesas, cadeiras ou coisas do tipo.

“Como posso colocar meus conteúdos nas plataformas? E depois disso, o que precisamos fazer?” – pergunta de uma jovem cantora, com um sorriso enorme no rosto e uma clara vontade de aprender e mudar.

Há várias empresas agregadoras que fazem o serviço de colocação de conteúdos nas plataformas digitais. Em rápidas pesquisas podemos ter acesso a diferentes opções. O importante é entender que estas empresas são apenas uma parte do negócio, ou seja, são uma forma de inserir o artista e seu conteúdo no universo digital, mas não garantem resultados. A imagem que costumo usar é de que estas empresas agregadoras atuam como facilitadores, promotores que colocam o conteúdo numa gondola de supermercado ao lado de milhões de outros produtos. A questão é como se destacar em meio a 40 milhões de outras músicas nas plataformas digitais? Então, respondendo à segunda parte da pergunta, é fundamental que todo artista tenha o suporte de uma empresa de marketing digital. E quando falo de marketing digital não estamos falando de postagens bonitas com versículos bíblicos, mas em ações e estratégias técnicas baseadas em análises, relatórios, expectativas … neste item, diferentemente das empresas agregadoras, ainda temos uma certa carência no mercado gospel. Neste momento, indico 2 a 3 empresas somente, não mais do que isso. E é importante que os artistas estejam atentos aos ‘contadores de estórias’ que prometem o céu e entregam o nada, ou bem menos ainda! Além da assessoria de marketing digital é fundamental que o artista reserve uma verba de investimento porque de nada adianta ter um profissional de suporte e não ter condições de fazer ações de impulsionamento, remarketing e afins.

“Vocês usam termos muito específicos. De tudo o que vocês falaram, confesso que eu não entendi muita coisa. O que eu preciso fazer pra estar mais ambientado a este novo universo digital?” – indagação do pai de uma cantora de 16 anos, sentada ao lado com uma cara assustada imaginando que o seu pai-manager estava expondo-se à frente de todos.

Na verdade, não há crescimento profissional sem estudo, treinamento, capacitação e o mesmo se aplica ao universo artístico. Inclusive no meio artístico gospel onde costumamos transferir a responsabilidade de sucesso e conquistas para o sobrenatural. É fundamental que todo artista busque conhecimento deste novo ambiente digital e isso implica também em entender melhor e se familiarizar com os termos técnicos como streaming, skip, remarketing, playlist, push, singles, EPs e coisas do tipo. Há farto material de informação disponível na web, além de diversos cursos, textos, publicações e conteúdos, ou seja, o artista precisa dedicar seu tempo para aprender e reunir conhecimento. Em vez de ficar horas e horas nas redes sociais, que tal, reservar ao menos 1 hora por dia para buscar conhecimento sobre o mercado digital?

“Qual a melhor forma de lançar as músicas? Como álbum, single, EP … e com relação aos vídeos, como devemos trabalhar?” – dúvida de um rapper cheio de atitude, rimas e gingado.

Neste caso o melhor é não ter regras. O fato é que o formato tradicional de álbum com 12 a 14 faixas perde e muito em força e coerência em tempos digitais. Em contrapartida, singles e EPs apresentam-se como o melhor formato a ser trabalhado. Muitos artistas atualmente sequer consideram a possibilidade de gravar DVDs ou muitas músicas de uma única vez. Hoje em dia, o foco do artista deve ser a busca pelo HIT, pela música que irá impactar o público. O fato de não mais se trabalhar um disco por 6 meses de produção e outros 18 a 24 meses de lançamento e divulgação, torna o processo bem mais leve. Basta uma música sendo gravada e trabalhada por vez. Além da ‘leveza’, esta nova forma de trabalho, diminui significativamente os investimentos em produção. No entanto, esta aparente facilidade, traz em si uma responsabilidade enorme, pois cada canção obrigatoriamente deve ser um sucesso, ter qualidade, precisa ser um HIT. É o fim da ‘música para encher linguiça’ para somar ao repertório, sem força alguma ou apelo.

E complementando, o vídeo assume papel fundamental na divulgação da música. Não há mais como se lançar o conteúdo em áudio sem que seja lançada a versão em vídeo da mesma canção, seja em clipe, Lyric Video ou mesmo pseudo vídeo (capa do CD e áudio no YouTube). No entanto, simplesmente gravar os conteúdos em vídeo não é suficiente para que a música seja um sucesso. É fundamental que estes vídeos sejam tratados como ferramenta de marketing e não somente como mais uma fonte de receita e para isso, investimento de impulsionamento e ações estratégicas de marketing digital fazem parte do pacote básico.

Pelo enorme tamanho do texto de hoje, você, amigo leitor do Observatório Cristão, percebe que tivemos um tempo bastante extenso para a criação deste conteúdo. O mais incrível é manter o foco no tema central … à medida em que escrevo, uma série de outros insights vão surgindo e é preciso manter a atenção e objetivo. Espero que o meu retorno seja comemorado, assim como vibramos com o revival da Expo Cristã. Quem venham mais textos pela frente!

Mãos à obra!

Mauricio Soares, publicitário, consultor de marketing, jornalista, bom ouvido e alguém que vibra ao falar do mercado digital, portanto, não puxe este assunto comigo se não tiver tempo disponível, rs.

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  • Jaqueline W. Aguiar

    ótimo. bem esclarecedor.

  • Niwton Barros

    Totalmente esclarecedor como sempre.

  • http://www.twitter.com/alex_eduardo Alex Eduardo

    Excelente matéria para artistas que estão iniciando agora no digital e precisa dessas dicas. Quanto a empresas, já deixo aqui uma indicação. A http://www.AgenciaPetra.com procure-nos!

  • João na Real

    “Neste momento, indico 2 a 3 empresas somente…” Soares, Maurício.

    Tenho repassado essas informações sobre a mudança para algumas pessoas, muitas não concordam, me olham como se eu fosse alienígena e continuam me cobrando CD, mas enfim, logo logo irão perceber que o futuro já é agora!

    Gostaria de receber a indicação das empresas de marketing digital, caso não queira expor aqui no blog poderia enviar um direct contato@joaogoncalves.com.br
    kkkk Abraço e parabéns por mais um texto incrível e esclarecedor.

  • William Lima

    Que texto maravilhoso, queria muito ir na expor exatamente para esse encontro, poder pessoalmente fazer perguntas, algumas já respondidas aqui.