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Tudo junto e misturado – a nova concepção do mercado corporativo

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O que há de comum entre as agências W/Brasil e Mccan Erickson, as potências do ramo alimentício Perdigão e Sadia, o  grupo Pão de Açúcar e as Casas Bahia, as Lojas Americanas e a rede de locadoras Blockbusters? Muito simples. Todas estas empresas sofreram ou se encontram neste momento em processo de fusão ou simples compra e venda. Tendência mundial, os processos de fusões entre empresas vêm acontecendo com enorme freqüência nos últimos anos, transformando do dia para a noite concorrentes em parceiros do mesmo lado da mesa. Esta nova realidade corporativa apenas vem reforçar o conceito darwinista da seleção natural onde somente os mais fortes, os mais adaptados às circunstâncias e intempéries do mercado conseguem sobreviver na “selva” que é a concorrência entre empresas.

No mercado de música cristã no Brasil já tivemos algumas empresas que dominaram o segmento e que hoje simplesmente desapareceram e agora fazem parte da história ou que seguiram uma rota de encolhimento tão grande que hoje são pequenos arremedos das potências que foram outrora. Entre essas gravadoras, podemos destacar a gravadora carioca Som e Louvores que abriu espaço para grande parte dos artistas que hoje são referência na música cristã, cantores do calibre de Sérgio Lopes, Rose Nascimento, Rayssa & Ravel, Cassiane, Eyshila, Altos Louvores, Álvaro Tito, entre outros. Outra gravadora que teve um passado glorioso foi a paulistana Bompastor que lançou artistas como Banda & Voz e abriu espaço para o talento de Cristina Mel, até então uma desconhecida cantora e professora de inglês da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. A Bompastor foi ainda a precursora no Brasil dos produtos internacionais distribuindo por aqui os LPs de Sandy Patty, AmyGrant, The Imperials, Michael W.Smith. Outra gravadora que merece registro é a VPC, sigla para Vencedores por Cristo, selo que foi criado prioritariamente para a distribuição de produtos do grupo homônimo e que no meio do caminho também passou a trabalhar com outros artistas. A discografia de VPC merece uma atenção toda especial com os clássicos “De Vento em Popa”, “Tanto Amor”, “Se Eu Fosse Contar” e a série “Louvor”, que reúnem músicas antológicas quando a música cristã nem imaginava ser reconhecida como gospel.

Sem querer descambar para um post saudosista e muito menos melancólico, o certo é que estas e muitas outras gravadoras do meio gospel no Brasil já sentiram o peso das transformações de um mercado que está em franca ebulição. O mercado de entretenimento e em especial, o segmento fonográfico estão entre os mais afetados pelas novas tecnologias e as mudanças de hábito dos consumidores. A mudança do formato vinil, aquela bolacha enorme que chamávamos de Long Play para a versão digital do Compact Disc, ou simplesmente CD, durou menos de 3 anos no Brasil. Nesta época eu trabalhava numa gravadora e acabamos tendo que incinerar cerca de 30 mil LPs simplesmente porque ninguém mais queria aqueles produtos, nem mesmo rádios comunitárias para presentearem seus ouvintes como brindes! Ou seja, a mudança da indústria forçou a alteração dos hábitos de consumo da população e rapidamente as casas foram invadidas por aparelhos 3 em 1, com destaque para os CD Players.

Agora as mudanças mais uma vez estão acontecendo motivadas pela popularização da web, pelos novos formatos de consumo de música, pela popularização do download e a invasão de novos equipamentos na área do entretenimento. O mercado digital já não é mais uma questão do futuro, mas sim do presente bem real! A mudança dos canais de distribuição de varejo é perceptível no Brasil com o fechamento de diversas redes de lojas de CDs e a concentração do mercado em poucos players. Com isso, e agora retornamos ao tema inicial deste post, as empresas estão buscando uma maior otimização de suas atividades para que alcancem com menor esforço e principalmente investimentos, os melhores resultados.

O mercado fonográfico já vive esta realidade de fusões, aquisições e parcerias. Há alguns anos atrás, a Sony Music adquiriu a empresa BMG em caráter mundial, surgindo a seguir a gigante Sony BMG e que tempos depois voltou a ser apenas Sony Music. Em todo o mundo as gravadoras estão buscando alternativas para enfrentar as novas dinâmicas e desafios do mercado fonográfico. Uma tendência que tem tudo para acontecer no mercado gospel nacional é a fusão ou acordo de distribuição entre gravadoras e selos. Um dos maiores problemas hoje no mercado nacional é a operação de distribuição e vendas, divulgação, marketing e promoção, que vem a ser a parte mais custosa de toda operação e que necessita de uma grande estrutura operacional.

O que já percebemos hoje e que tem tudo para se seguir junto ao mercado gospel é a fusão ou parceria entre gigantes do setor e selos, estes últimos, responsáveis pela produção e área artística, deixando para os primeiros, todos os processos de venda, administração e marketing. Voltando ao exemplo da Sony Music, se entrarmos no site da companhia nos Estados Unidos iremos constatar que a gravadora conta com 15 labels de diferentes estilos musicais, incluindo a portentosa Provident, líder mundial de música gospel (que inclui ainda mais 3 outros selos em seu catálogo) e o label Verity, mais focada em black gospel music.

Recentemente ouvimos a notícia de que a gravadora Graça Music estaria assumindo parte do catálogo da Zekap. Já a SomLivre ingressou no mercado gospel distribuindo os produtos do selo Diante do Trono e a Sony Music em breve irá começar a distribuir produtos do catálogo Gospel Records como a discografia do Renascer Praise e da Banda Resgate. Estas já são algumas iniciativas visíveis desta nova configuração do mercado gospel. Tudo indica de que nos próximos meses tenhamos mais novidades neste sentido, afinal com o advento do mercado digital as gravadoras tradicionais precisarão literalmente mudar suas formas de lidar com o negócio em si. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. A conferir.

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Mauricio Soares, publicitário que atua no mercado fonográfico e gospel nacional desde o século passado e, ainda assim, mantém disposição para lidar com as novas tecnologias e transformações do segmento.

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