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Vale a pena relembrar ou conhecer alguns dos grandes nomes da música cristã no Brasil

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Sigo aproveitando os dias de feriado prolongado para escrever um pouco mais para o blog. Também tenho aproveitado este tempo para responder a algumas entrevistas e mesmo uma pesquisa de conclusão de curso, uma monografia inspirada no mercado de música gospel e da qual sou uma das fontes. Na casa em que estou hospedado na cidade de Armação dos Búzios deparei-me como uma coleção de vinis de deixar qualquer um que curte música, de queixo caído e ouvidos bem atentos. A coleção conta com discos antológicos de Djavan, Maria Bethânia, Gilberto Gil, 14 Bis, A Cor do Som, Guilherme Arantes, Caetano Veloso, Chico Buarque, Secos e Molhados, Tom Jobim, Elis Regina, Beto Guedes, entre outros grandes nomes da MPB. Entre os internacionais, muitas bandas de rock e relíquias de Supertramp, Simon & Garfunkel, Elton John e Bee Gees. Ou seja, só coisa boa e com aquele chiado característico dos vinis, sujeirinha chique e retrô.

Em minha recente viagem de férias pelo sul do país, inclui em uma de minhas playlists apenas músicas da década de 80 ou relíquias da época, inclui boa parte do álbum “Ouvi Dizer” do Grupo Elo e mais canções de Rebanhão, Marquinhos Gomes, João Alexandre, Jorge Camargo, Altos Louvores. Infelizmente muitas canções que listei para minha pesquisa resultaram em arquivo não encontrado, ou seja, muitas músicas do passado da música evangélica ou cristã como se dizia à época, não estão ainda disponíveis nas plataformas de áudio streaming. Frustrante foi perceber que referências como Josué Rodrigues, Banda e Voz ou a dupla Cíntia e Silvia não têm seus repertórios ao acesso da juventude e os nem tão jovens assim, através do Spotify, Deezer ou AppleMusic. Com isto alijamos muitas pessoas de conhecer a história da música cristã no Brasil.

Recentemente o grupo Rebanhão reuniu-se para gravar um DVD comemorativo aos tantos anos de carreira da banda que revolucionou a música cristã no Brasil, não somente do ponto de vista musical, mas também com relação aos temas e forma de compor as canções, algo muito vanguardista para a época. Observei que muita gente nas redes sociais comentava com espanto e incredulidade sobre o que seria o Rebanhão, sua história e sua relevância no cenário artístico. E antes que os raivosos de plantão comecem a vociferar e jogar pedras na ignorância das pessoas sobre o passado do Rebanhão, cabe destacarmos que a igreja evangélica no Brasil ‘explodiu’ de verdade nos últimos 15 a 20 anos somente, ou seja, para boa parte da igreja evangélica brasileira tudo o que vier antes deste período é simplesmente lenda!

Indo para 34 anos de batismo, tive a oportunidade de conhecer grandes nomes da história da música gospel nacional. Lembro-me de um show com o Rebanhão na quadra da Primeira Igreja Batista de Niterói que seria um marco em minha vida. Parecia que eu estava diante de astros internacionais tamanha a admiração que todos nós, adolescentes imberbes nutríamos por aqueles jovens bronzeados com suas guitarras e letras engajadas. Banda e Voz com seu reggae, soul music e brasilidade representava algo novo e por muitas das vezes até mantinha uma aura transgressora pelos padrões da época. Nesta época também, surgia Cristina Mel cantando os grandes hits de artistas como Sandi Patty e Amy Grant. Outra que se destacava nesta época, igualmente em versões internacionais, era a cantora Cristiane Carvalho. Logo depois, em um culto na mesma Primeira Igreja Batista em Niterói, surgia uma jovem cantora que iria fazer história na música gospel, Marina de Oliveira. Pode até parecer história de Forrest Gump, mas eu estava presente e cantando no coral de adolescentes da PIBN quando Marina de Oliveira debutou na música gospel. Coisas da vida.

Sérgio Lopes, Marquinhos Gomes, Altos Louvores, Milad, Edson e Telma, Jorge Camargo, Paulo César Graça e Paz, Jota Neto, Álvaro Tito, João Alexandre, Asaph Borba, Josué Rodrigues, Vencedores por Cristo, eram alguns dos principais nomes do início da fase mais popular da música cristã no Brasil. Ainda não parei para pesquisar o que temos de cada um destes artistas disponível nas plataformas de áudio streaming, mas do pouco que já pude procurar, os resultados não foram nada estimulantes. É muito importante que os jovens ou aqueles que chegaram às igrejas evangélicas no Brasil mais recentemente tenha acesso e conhecimento a estes acervos tão especiais e que forjaram boa parte do que hoje conhecemos como música gospel brasileira.

Quando hoje escuto as canções de Estêvão Queiroga ou Os Arrais, é inevitável não lembrar-me das propostas musicais de Cíntia e Silvia, Josué Rodrigues, Rebanhão ou João Alexandre. O mesmo acontece quando me deparo com as músicas do Preto no Branco, como não identificar-me com a sonoridade de Kadoshi, Atos 2 ou Banda e Voz?

Já comentei em algum texto por aqui publicado de que o futuro (ou já seria presente?) do mercado da música estará ligado exclusivamente a dois formatos, a saber: streaming e vinil. O formato CD seguirá em declínio até manter-se num patamar bastante tímido como um dia foi o próprio LP que hoje se reergue e volta a ser moda. E também gostaria de aproveitar e exercitar meu sentido de projeção, cravando que dificilmente, pelo menos na próxima década teremos um mercado de vinis de música gospel. Então, tudo indica que estes clássicos serão acessíveis ao público tão somente através das plataformas de áudio streaming. Cabe aos selos, gravadoras e mesmo artistas desta época resgatarem estes conteúdos, disponibilizando-os nos novos canais de consumo da música.

Nos últimos anos, em especial nestes 2 mais recentes, venho particularmente buscando contato com selos e gravadoras que possuem estes acervos para contribuir com a entrada destes conteúdos nas plataformas digitais. Infelizmente a esmagadora maioria destas empresas não possui documentação que possibilite o ingresso destes conteúdos nas plataformas, o que acaba atrapalhando todo o processo. Este é, sem dúvida, um objetivo que todo amante da boa música gospel deve ficar na torcida.

Enquanto não consigo ouvir alguns destes artistas citados, vou curtindo um disco antológico gravado no Canecão, tradicional casa de espetáculos do Rio de Janeiro, que já não existe mais e que foi cenário para o encontro antológico entre Tom, Vinícius, Miúcha e Toquinho.

Enjoy!

Mauricio Soares, publicitário, jornalista e alguém que durante o feriado de carnaval teve estômago para conferir alguns programas de TV nos inúmeros canais de programação evangélica e católica. Assisti a tudo o que era artista, uma avalanche de clipes, musicais e apresentações ao vivo. Mas o que mais se chocou foi ver um pastor tiozão que acha que canta, que acha que compõe e que acha que entende de música, se sacudindo de terno e gravata como um boneco do posto. Misericórdia!

  • Lucas

    Quisera eu tds os trabalhos da Cristina mel na Deezer e Spotify!!!