Vamos falar de vídeo clipes?

Não me recordo bem se foi o amigo Ruben Mukama, do Maranhão, quem fez esta sugestão de tema para eu comentar no Observatório Cristão.

Acho que foi ele sim! Então aproveitando um tempo de vôo entre Saint Louis e Nova Iorque, vou tentar desenvolver este post a respeito dos vídeo clipes no meio gospel brasileiro. À medida que inicio este texto recordo-me que o comentário do Mukama era a respeito da diminuição de produção de clipes por parte das gravadoras e também sobre a própria qualidade do que é produzido hoje em dia.  Ainda no twitter, palco onde esta conversa se iniciou, lembro-me que ressaltei que ainda temos muitas gravadoras que entendem clipes como despesa e não como investimento recuperável mediante monetização nas plataformas digitais. Sem dúvida, esta é uma mudança importante no mercado fonográfico mundial e que transforma por completo a estratégia de trabalho.

Outra questão a se avaliar é que ainda temos muito pouco espaços para veicular este material. Nestes últimos 3 dias estive participando da CBA, feira que reúne as principais empresas do segmento cristão dos Estados Unidos. Quando retornava ao meu quarto de hotel depois de reuniões e mais reuniões, fazia questão de sintonizar no canal de TV da Capitol Distribution que transmitia somente vídeos de música cristã. Ali tive oportunidade de conhecer novos artistas e rever grandes nomes de música gospel mundial.

E no Brasil, nem mesmo nas TVs cristãs, temos espaço para a exibição destes materiais. Boa parte da programação destes canais está reservada à transmissão de cultos, estudos e palestras. A música tem papel secundário, salvo raríssimas exceções. Pior ainda se levarmos em consideração os programas de TV dos televangelistas … nestes apenas tem espaço para as campanhas de doações, venda de produtos próprios, divulgação de caravanas para a Terra Santa e até mesmo um tempinho para a pregação da Palavra! Para a divulgação de música e clipes não há espaço algum! O interessante é que todo evento, toda concentração de massa, destes mesmos pastores, bispos, apóstolos, patriarcas, querubins ou seja lá mais o que for, sempre são convidados cantores para incrementar a programação.

Há alguns anos atrás tínhamos o Gospel Line na TV Record, inclusive fui um dos co-diretores do programa por um tempo. Era um espaço democrático e tradicional para a música gospel, mas infelizmente, depois de 13 anos no ar, simplesmente evaporou da programação da emissora.

Então, o espaço para a divulgação de clipes ficou limitado ao Youtube e a um outro programa de TV do interior do Brasil, uma TV a cabo com alcance limitado, enfim, muito pouco pelo investimento que se demanda. que merece A grande novidade no momento são os acordos de monetização por visualização. Em rápidas palavras, o proprietário do conteúdo em vídeo mantém um contrato firmado com a plataforma digital, onde é remunerado pela quantidade de visualizações que seu vídeo alcança. Essa verba é recebida em função da venda de publicidade do canal e repassada em seguida ao proprietário do vídeo.

Então, quanto mais visualizações, mais dinheiro caindo na conta. E é aí que está o grande xis da questão. Se a gravadora não investir na qualidade de seus clipes, certamente o número de visualizações será baixo e consequentemente a remuneração também.

Recentemente lançamos um clipe de Daniela Araújo e em menos de 10 dias este vídeo alcançou 100 mil views. O cantor Thalles também apresentou um novo clipe de seu recente trabalho e em pouco tempo ultrapassou 1 milhão de views, ou seja, caixa registradora tilintando!!!!! Confesso que quando vejo alguns vídeos com 500, 700, 1 milhão de views e descubro que não estão sendo monetizados, a decepção é enorme! Não só pelo fato daquele investimento não estar gerando receita, mas principalmente por ver como temos pessoas em nosso meio que desconhecem as possibilidades deste mercado digital. Ainda falando de possibilidades, o Lyric Video tem se tornado uma ferramenta importantíssima na divulgação e monetização de artistas e gravadoras.

Ainda comentando sobre o canal de clipes da Capitol, fiquei impressionado com a quantidade de Lyric Videos que estavam sendo veiculados na programação. Creio que a cada 5 clipes no formato tradicional, 1 vídeo no formato Lyric era veiculado. Para quem não está familiarizado com o termo Lyric Video, este é um novo recurso dentro do conceito de vídeos monetizados que vem sendo amplamente utilizado pelas gravadoras e artistas. Trata-se de um vídeo com a apresentação da letra da música simultaneamente ao áudio.

Nas novas versões, a letra agora vem acompanhada pelas cifras. Um bom exemplo desta nova ferramenta é o Lyric Video de uma das canções de Cris Tomlin, confira em http://www.youtube.com/watch?v=qOkImV2cJDg Uma informação importante com relação ao VEVO, plataforma digital de conteúdo musical, é que neste formato não é permitida nenhuma publicidade nos vídeos. Nem mesmo a ficha técnica de divulgação da própria gravadora ou o nome do artista. Na verdade, os vídeos estão sempre relacionados ao canal personalizado do artista, portanto, entende-se ser desnecessária a informação do artista no vídeo.

Por falar em ficha técnica, já vi muito clipe com tanto nome relacionado à produção do clipe que praticamente tomava toda a área do vídeo. Ali estavam roteirista, palpiteiro, figurinista, passadeira, motorista … uma lista interminável de profissionais envolvidos no vídeo. É muita necessidade de ver seu nome aparecendo nos créditos … deixem apenas o artista aparecer, please! Dias atrás estava pesquisando na web alguns clipes e me assustei quando vi um vídeo de uma artista com a inclusão da logomarca da gravadora – algo assustadoramente cafona! – poluindo totalmente a plástica (que também não era lá essas coisas) do clipe. E, pasmem!, no meio do clipe surgia uma espécie de pop up divulgando o clipe ou CD de uma outra artista … isso é a carona institucionalizada, tipo: veja esse clipe e compre o CD da outra! Oh Lord !!!! (na voz do Irmão Lázaro), bandalheira total!

Ainda sobre os clipes no meio gospel, outra questão que percebo com muita frequência é a extrema interferência de pessoas que não entendem nada de nada e se julgam no direito de poder dar pitacos na produção alheia. Temos artistas que se deixarem, assume a câmera, o roteiro, quer representar, editar … fazer tudo! O diretor é apenas um cara esquisitão que fica ali ouvindo e acatando as idéias tresloucadas do artista. Isso é inadmissível! E esta síndrome de George Lucas não se resume aos artistas, mas também

aos fãs e mesmo profissionais de gravadoras. Onde já se viu uma pessoa que nunca estudou fotografia, cinema ou algo do tipo se arvorar em dirigir clipes? Quando que assessor de imprensa pode se julgar apto em dirigir um vídeo? É como se pedir para o rapaz da contabilidade para elaborar um plano estratégico de marketing, ou seja, cada um no seu cada um!

Sugiro que você leia um texto recentemente publicado no Observatório sobre esse tema em questão.

Ainda sobre o tema “clipes”, preciso também puxar a orelha do público. É impressionante como o senso crítico destes é muitas das vezes completamente deturpado. Costumo dar uma pesquisada em alguns sites e quando me deparo em comentários de fãs sobre determinados clipes, fico com a clara sensação de que tem muita gente que prefere Angu do Gomes a Prime Rib. Me assusta ver uns clipes ridículos, toscos, sem pé nem cabeça, filmados em locais estranhos, com poses estranhas, roteiros infantis e óbvios, com artistas fazendo caras e bocas e na seção de comentários, o povo colocando os maiores elogios rasgados pela qualidade e performance da produção. Muito louco isso! É óbvio que o senso comum é sempre mais magnânimo, especialmente em se tratando de povo evangélico que costuma ver o lado positivo das iniciativas, mas daí a elogiar (e até premiar!) alguns clipes, é mesmo falta de senso estético e crítico.

Recolhendo a mesa, voltando a apertar o cinto … desligando o computador. Acho que este assunto ainda pode render muitos outros posts. Quem sabe, em breve podemos falar um pouco mais disso? Obrigado por sua atenção e espero contar com sua leitura nos próximos textos. Por falar em próximos textos, que tal recordar textos publicados tempos atrás aqui no Observatório. É interessante como temas tratados em 2009, 2010, hoje já são realidade. Vale a pena pesquisar!

Mauricio Soares, jornalista, publicitário, consultor de marketing.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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