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Xiiiiiii … acabou o dinheiro! E agora? Como faço para divulgar meu disco?

”A grana está curta! Tenho poucos recursos mesmo, mas sei que preciso fazer alguma coisa pra divulgar meu CD. O que você me aconselha?” Ouvir este questionamento tem sido muito mais frequente para mim nos últimos anos do que você, amado e estimado leitor do Observatório Cristão, possa imaginar. Dez entre dez artistas independentes tem essa dúvida, diferenciando apenas o grau de “dureza” econômica … uns mais para Grécia, outros mais para Espanha, mas o certo é que raríssimas são as vezes em que encontro um artista em que verba para investimento não é problema. E mesmo nestes casos, com fartura de dinheiro para investir-se no projeto, a dúvida permanece semelhante, tipo: “Tenho dinheiro para investir no projeto, mas não quero queimar dinheiro à toa! O que será que eu devo fazer?”

Este mesmo assunto já foi tema do blog tempos atrás. Como vez ou outra tenho mais dicas e atualizações sobre o mesmo assunto, permito-me abordar assuntos que em outras oportunidades já publiquei no Observatório Cristão. E como estas perguntas têm sido cada vez mais frequentes, vou aproveitar o vôo de Natal para o Rio de Janeiro após participar de um grande evento de música católica para falar um pouco mais do tema. E antes que o xiitas “goxpéis” comecem a me acusar de ter participado da gravação deste projeto de música católica, já me adianto dizendo que foi uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais do que tem sido feito em termos artísticos neste segmento. A música católica ainda caminha alguns passos atrás do que denominamos como mercado evangélico. E foi para tentar entender um pouco mais deste universo é que tirei uns dias para participar desse grande evento que reuniu mais de 20 atrações da música católica e cerca de 25 mil jovens. Assim como estive neste evento, toda oportunidade que tenho de assistir e mesmo trabalhar em produções seculares, sejam de música sertaneja, pop rock, internacional, aproveito a oportunidade para incrementar minha experiência profissional e principalmente meu entendimento do mundo musical.

Mas voltando ao assunto principal do post, gostaria de listar as principais ações por ordem de “grana disponível” para um artista independente no tocante à divulgação e promoção de seu trabalho. No entanto, é importante frisar – e neste caso é interessante perceber que mesmo na Bíblia já há um comentário a respeito – que antes de se começar uma obra, uma construção, uma reforma, é importante que se faça não só um estudo aprofundado do que se deseja como resultado final, mas também como se irá fazer o projeto, duração da obra, planejamento financeiro, uma série de questões a se avaliar.

Então por que geralmente vemos artistas independentes que com o CD na mão, afirmam com a maior naturalidade: “Tudo que eu tinha de verba usei no estúdio, nas fotos, na gravação. Agora não tenho mais fôlego algum para divulgar o trabalho!” Este é um caso clássico no nosso meio e reflete a total falta de planejamento na execução do projeto. Então, de forma bem direta, antes de começar a gravar seu próximo projeto, é fundamental que você elabore um fluxo de investimentos para, no mínimo 6 meses de lançamento do projeto. Além disso, é importante estabelecer uma meta de reinvestimento a partir que a agenda começar a acontecer e a própria venda dos produtos. O ideal é reservar de 30 a 50% do lucro obtido em agenda e vendas para novas ações de promoção e marketing.

E como deve ser esse planejamento de mídia? Posso assegurar-lhes que não há uma fórmula única, padrão para responder a este questionamento. Mas como já mencionei em outras oportunidades, a estratégia deve sempre estar focada em primeiro atingir de forma local. Não adianta querer “ganhar as nações” se nem na sua igreja local você é realmente conhecido! Então, o primeiro passo é determinar o limite de ação de sua divulgação. Primeiro sua cidade, depois sua região, estado e só depois disso, começar a trabalhar além-fronteiras. É impressionante como ouço pessoas dizendo que investem em Porto Alegre, Belém, Manaus, Vitória, Marília, Caicó, Bonito e outras regiões sem jamais terem pisado nestas cidades!

Entendido isso, o que o artista deve fazer em termos de investimento em mídia. Primeiro passo: montar uma página na web. Mas, por favor, ter um site não significa colocar uma avalanche de informações desnecessárias e desconexas como taxa de câmbio, previsão do clima, fotos dos familiares, receitas de bolo e coisas do tipo. O site de um artista deve sempre ser transparente, direto, clean, objetivo. E por favor! Elimine aquela página de “Entrar” antes da Home do site. Se o indivíduo clicou em sua URL é porque ele quer entrar. Então pra que criar essas barreiras antes do acesso à página propriamente dita? No site, apenas agenda, contatos, notícias recentes, link das redes sociais atualizada automaticamente, alguma ferramenta de audição de trechos de música, fotos, nada muito além disso! Até porque, a maior ferramenta atual de divulgação do artista deve ser nas redes sociais, sendo que o Facebook deve ser a maior prioridade.

Imaginando que o artista fez o dever de casa com relação ao planejamento de investimento, partimos para uma segunda etapa. A gravação do material em vídeo. Cada vez mais a imagem tem papel de relevância na divulgação e promoção do trabalho de um artista. Em tempos de web, um vídeo criativo pode catapultar a carreira de um artista instantaneamente. E quando falamos de clipe, não necessariamente contamos com uma super produção com a assinatura de James Cameron ou Spielberg. Cada vez mais os equipamentos de qualidade estão disponíveis no mercado proporcionando uma maior democratização em termos de custos e orçamentos. A grande diferença nesta questão é na capacidade criativa e profissional do diretor de vídeo. E é importante observar que nem sempre um diretor consagrado no mercado é garantia de um clipe criativo. Neste caso é importante realmente ter bastante critério na elaboração do roteiro, figurino, locação e da própria canção que será gravada em vídeo. Vale ressaltar que nem sempre a música escolhida como single deve ser a canção do clipe, pois às vezes a música não permite uma boa solução criativa no vídeo. Com o clipe finalizado, o artista deve enviar uma cópia para todas as TVs e programas evangélicos que tenham algum espaço para a música. Geralmente as TVs evangélicas são bastante receptivas a este tipo de oferecimento, até porque poucas são as emissoras que produzem conteúdo próprio, portanto realmente necessitam destes materiais. Além das TVs, cópias do clipe ou o link oficial do vídeo deve ser enviado para os sites do segmento.

Ainda crendo que o planejamento financeiro está corretamente elaborado, seguimos para as rádios. E é aí que começa a parte mais difícil e de maior investimento. Seguindo a estratégia LOCAL/REGIONAL/ESTADUAL/NACIONAL, o artista deve listar as principais emissoras de rádio a se trabalhar. Muitas emissoras do meio gospel ainda trabalham de forma não tão impositiva comercial, portanto, o networking é fundamental. O artista deve manter contato direto com programadores, diretores de rádio e locutores. Não necessariamente as rádios trabalham com contratos comerciais, mas também com promoções onde o artista concede prêmios e brindes a serem sorteados na emissora e também (prática bem comum no meio secular) com a cessão de datas na agenda para a participação de shows da emissora. Falando especificamente de contratos, o ideal é que o artista faça acordos de pequenos períodos, 30 dias por exemplo. Mesmo neste pequeno tempo já pode-se perceber se a música, a divulgação e resultados efetivamente estão valendo a pena. Contratos longos criam uma relação não muito saudável com algumas emissoras (Vale a apena ler um texto meu publicado anteriormente onde falo sobre a relação com emissoras de rádio), então o melhor é manter uma prática de contratos de curto prazo. Ainda sobre a divulgação em rádios, o ideal é que além de spots comerciais e a própria execução da música, locutores ao vivo reforcem a divulgação com testemunhais falando da canção. Neste caso, num bloco de 3 canções, o melhor é que a música seja a que abre o bloco para que assim o locutor possa reforçar a veiculação em seguida.

O investimento em web, rádios, clipe e na própria agenda são os mais eficientes pilares num projeto de divulgação de um artista, seja ele independente ou não. Logo em minha chegada à Sony Music tivemos uma negociação na tentativa de trazer um artista consagrado do meio gospel para integrar o cast que estava sendo formado à época. Discussões sobre royalties, tempo de contrato e outros detalhes até que fluíram bem, mas numa determinada hora da negociação o artista começou a exigir em contrato uma série de questões promocionais e de divulgação. A lista continha 3.000 bonés, 5.000 camisetas, 10.000 canetas personalizadas, 3.000 cartazes em papel, 1.000 banners e uma série de outros pontos que mais se assemelhavam a uma lista de campanha eleitoral do passado com cartazes lambe-lambe, ‘santinhos’, adesivos e outras coisas mais. Recordo-me até hoje o comentário de um diretor de nossa equipe: “Que coisa mais antiga! Isso aí a gente já não faz há mais de uma década! Esse rapaz está completamente desatualizado e com isso temos uma boa indicação sobre o tipo de artista que iremos lidar!” Apenas para finalizar a história, analisamos o projeto e optamos por não dar prosseguimento às conversações com o artista-marqueteiro-dos-anos-90.

Outra questão que vale a pena lembrar é a importância para a agenda no processo de divulgação do artista. Em um projeto que lancei tempos atrás de um artista completamente desconhecido no meio gospel, mas dono de um talento totalmente diferenciado, o que mais eu dizia e não me furtava de repetir era de que ele deveria cantar de segunda a segunda, não escolher oportunidades, não criar dificuldades para fechar os convites e principalmente, em cada lugar que tivesse a oportunidade de se apresentar que sua performance fosse a melhor possível! Lembro-me que dizia para ele: “Rapaz você não é conhecido! Esqueça de tudo que você viveu antes. Hoje no meio gospel você é um ilustre desconhecido, então cante até em enterro de anão! Não tem essa de cansado! Não tem essa de cachê pequeno! Você tem um ano no mínimo para viajar por todos os lugares deste país para divulgar sua música, seu disco, seu talento. E importante … aonde você chegar sua postura será irrepreensível! Você vai saber chegar e vai saber sair! Não quero ninguém falando um ‘ai’ de você, certo? Daqui há um ano a gente senta e avalia o que foi feito!” Passado mais de um ano dessa nossa conversa, posso garantir-lhes que este artista é atualmente um dos mais comentados, admirados, de agenda mais intensa e maior expressão em venda de discos do Brasil.

Dias atrás estive batendo um papo por DM no twitter com a Marcela Taís, aquela cantora de Brasília que canta a agradável canção “Cabelo Solto” e que por semanas foi destaque nos vídeos aqui mesmo do Observatório Cristão. Entre tantos assuntos, finalizei minha conversa afirmando que ela tem muito talento, produz uma música diferenciada em nosso meio, tem um gosto refinado artisticamente falando, mas que os resultados de seu trabalho surgirão apenas se ela mantiver como prioridade: FOCO e TRABALHO. Se ela mantiver o foco na carreira, nas metas pessoais e trabalhar muito, mas muito mesmo, então possivelmente teremos uma nova artista reconhecida nacionalmente na música gospel. E é exatamente com este conselho que vou terminando mais esse post. Se você, artista independente, realmente acredita no seu potencial e todos à sua volta confirmam isso (não vale a mãe, pai, avó … estou falando do público e mídia), então o caminho para o sucesso está relativamente traçado, mas somente com seu empenho pessoal é que a conquista virá.

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, consultor. Retorno ao Rio de Janeiro ouvindo o CD “Tudo passa pela Cruz” de Olívia Ferreira, uma cantora católica que foi produzida por Gustavo Soares e contou com o projeto gráfico da Quartel Design. Esta cantora me presenteou com seu belo CD durante o evento “Bote Fé” em Natal e falou-me a respeito de uma reunião de louvor e adoração que vem acontecendo no Rio de Janeiro com a participação de Bené Gomes, músicos evangélicos e a juventude católica, num exemplo fantástico de convivência civilizada em prol de um bem comum, a maior aproximação com Deus.

 

 

 

Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam nestesegmento.

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